PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assine desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Home Opinião

Novo Ano

As nossas lembranças são misturas de tempos

Patrícia António, psicóloga e psicoterapeuta Patrícia António, psicóloga e psicoterapeuta
6 de Janeiro de 2024
em Opinião
Share on FacebookShare on Twitter
Patrícia António, psicóloga e psicoterapeuta
Patrícia António, psicóloga e psicoterapeuta6 de Janeiro de 2024

O Novo Ano chegou.

Gonçalo M. Tavares, na sua habitual crónica na Revista E do Expresso, a 22 de Dezembro escreveu: “perto do final do ano, o cronómetro começa a acelerar em direcção a um novo calendário”.

Mas 2023, que acaba de nos deixar, transforma intensamente esta dimensão de tempo, porque ele não é só cronológico.

É um tempo de uma existência globalmente difícil, em que o sofrimento colectivo não pode, nem deve ser lido apenas como uma reacção individual a um evento externo.

Temos vivido um tempo de uma existência global que coloca a nossa vida em suspenso, sem tempo nem espaço interno, para a construção de nós próprios.

Como sabemos, as formas de sofrer são indissociáveis do ambiente cultural e social que vivemos.

A nossa própria história não é linear.

As nossas lembranças são misturas de tempos.

Em 2023, saímos de uma pandemia e passámos a assistir a um desfilar de guerras e conflitos intermináveis sem um cessar-fogo possível, apesar dos apelos internacionais constantes, com as democracias paulatinamente a deteriorarem-se um pouco por toda a parte e Portugal incluído, a crise climática cada vez com mais força e, isto tudo somado, a criar um clima de angústia e inquietação global, face ao qual não conseguimos ficar indiferentes.

Atormenta-nos a alma e o coração, dentro e fora das consultas.

A ansiedade instala-se.

Dizia-me António (nome fictício) na nossa última sessão do ano: “sabe, de repente, foi a minha criança que emergiu violentamente ali à mesa. Perceber o meu não lugar, a minha não existência numa família totalmente disfuncional. Optei por ficar em silêncio. Queria agora ser o adulto capaz de dar colo à minha criança também ali sentada à mesa e que tantas vezes falamos aqui. Pensei em si. Pensei nas nossas sessões e percebi o meu novo nascimento.”

Ao longo dos vários meses de 2023, dei por mim a proteger-me progressivamente das notícias diárias que, ininterruptamente, entram pelos ecrãs adentro.

A guerra em directo, as catástrofes em directo e a ausência de interlocutores lúcidos capazes de as mediar e ajudar a pensar e a significar.

O chegar a casa já trazia no meu coração e no meu espaço mental, a escuta atenta e o acolhimento das notícias que as pessoas com quem trabalho carregam, quer do mundo real, quer de si próprias e do seu mundo interno.

Por outro lado, a partilha entre pares trouxe o constatar de um sofrimento comum: pessoas que nos chegam mais desesperançadas, mais fragmentadas, em desamparo e abandono de si e dos outros, fazendo uso de defesas muito primitivas como, por exemplo, o recurso a comportamentos auto-lesivos de diferentes formas e feitios, como estratégia única possível contra uma dor, na maioria das vezes, sem nome.

Uma dor que é da ordem do indizível, do irrepresentável.

Dissociações, fragmentos, que são do domínio do trauma, de um tempo que não começa, de um presente morto e inanimado que se impõe, onde pensar o impossível se faz urgente, como nos disse recentemente Felícia Knobloch, psicóloga clínica e psicanalista, nas Jornadas da Sociedade Portuguesa de Psicologia Clínica, em Lisboa.

No seu livro O tempo do traumático (2022) recentemente reeditado no Brasil, a autora traz-nos a ideia de que o trauma nos convoca clinicamente a um outro modo de pensar e agir.

A vivência psicológica actual mostra-nos isto diariamente e o desafio do nosso trabalho, assim como o compromisso e a responsabilidade para com a pessoa que temos à nossa frente, aumentam na mesma razão.

Como enfatiza Felícia Knobloch ao longo do livro, o tempo do traumático é um presente absoluto que se vincula ao tempo do morrer, por ser justamente quando a própria passagem desse tempo não se dá.

Fixa-se em determinado “espaço” no corpo e na forma de viver.

Aparece, não como linguagem verbal, mas como sintomas, silêncios, acções, repetições e transmissões na contra-transferência do próprio psicoterapeuta (Berenstein, Laurino, Weintraub, 2023).

O ano de 2024 chegou e com ele também muitas interrogações.

A possibilidade da continuidade deste tempo em suspenso, em que a regularidade e a constância parecem ter deixado de ser um organizador psíquico do Eu, impõe outros desafios terapêuticos, outras linguagens, outras forma de escuta das entrelinhas de cada Ser, capazes de gerar movimentos sanígenos, transformadores e de acolhimento necessários para trazer esperança e capacidade de vida.

Tópicos: ano novodepressãoguerraopiniãopatrícia antóniopsicologiasaúde mental
PartilharTweet

Mais informação

Opinião

A (ir)relevância de lamber um ecrã

27 de Outubro de 2026
Paulo José Costa, psicólogo clínico
Opinião

Stress a stress, enche o copo

27 de Outubro de 2026
Cláudia Camponez, psicóloga educacional
Opinião

Data centers e a fome por recursos

26 de Outubro de 2026
Ana Pires, Doutorada em Eng.ª do Ambiente
Próxima publicação
Hotel Parque encerrou nos anos 90

Hotel Parque de São Martinho do Porto tem novo projecto de requalificação

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

Rio Arunca junto a Pombal não terá açude

MAIS VISTOS

Factos foram julgados no Tribunal de Leiria

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

28 de Outubro de 2026
A categoria de longas teve espaço em Pombal pela primeira vez e premiou Óculos de Sol Pretos

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

28 de Outubro de 2026
Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

28 de Outubro de 2026
Um espectáculo interactivo e temático sobe ao castrelo de Leiria no sábado

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

28 de Outubro de 2026
Segundo a autarquia, as comportas provocam eutrofização no Arunca

Rio Arunca junto a Pombal não terá açude

28 de Outubro de 2026
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assine desde 0,39€ por semana
  • Subscreva as newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Estatuto editorial
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • 50 anos do Poder Local
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • Palavra de honra
  • Crítica
  • Opinião
  • Fotogalerias
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?