O que me faz feliz… A afirmação, em jeito de interrogação, está bem visível na sala da EB 2,3 D. Afonso IV Conde de Ourém reservada ao Agir, um projecto que nasceu há quatro anos, com a missão de incentivar experiências de voluntariado e de solidariedade. E, a avaliar pela resposta pronta de Ana Aquino, Laura Lopes e Ana Pereira, três das voluntárias do Agir, os objectivos estão a ser cumpridos.
“O que nos faz felizes? Ajudar os outros e contribuir para a felicidade do próximo”, respondem, quase em uníssono, as três jovens, alunas do 9.º ano que, desde o início, integram o projecto, que já recebeu vários prémios nacionais, entre os quais a bandeira de Escola Amiga da Criança.
Mas as distinções não são, de todo, o mais importante, como faz questão de realçar a professora Ana Frazão, coordenadora do projecto, para quem o principal são “os valores que se transmitem” e as ferramentas que se estimulam.
A docente explica que o projecto nasceu há quatro anos, no seguimento de várias actividades na área da solidariedade que já eram desenvolvidas no agrupamento. “Juntaram-se essas acções num único projecto e criou-se um grupo de voluntariado formado por alunos”, conta.
Aos voluntários são apresentados problemas e necessidades da comunidade, cabendo aos estudantes encontrar soluções.
Desta forma, os alunos têm a oportunidade de contactarem com a realidade do meio social em que estão inseridos, além de desenvolverem competências na área do empreendedorismo, cooperação e trabalho em equipa.
“Têm de se organizar, fazer os projectos, apresentá- los e dinamizar acções, com vista à sua concretização”, refere a professora, frisando que, embora não seja esse o foco, com esta metodologia, os alunos acabam por trabalhar conceitos de várias disciplinas.
Entre as actividades dinamizadas pelos alunos está a iniciativa Natal no Coração, que consiste na recolha de bens que são depois entregues a alunos carenciados. Só na última edição foram distribuídos 80 cabazes, a juntar aos dez entregues em “situação de SOS” durante este ano lectivo.
“Não tinha a noção de que havia tantas pessoas com dificuldades”, reconhece Ana Pereira, que aponta “o contacto com a realidade” como uma das mais-valias do projecto. “Faz-nos ver a realidade à nossa volta e mostra-nos que, às vezes, o mundo não é tão cor-de-rosa como o pintamos”, acrescenta Ana Aquino, que aponta a visita ao CRIO – Centro de Reabilitação Infantil de Ourém, que acolhe pessoas portadoras de deficiência, como uma das experiências mais marcantes.
Além dessa, Laura Lopes refere a colaboração com o Banco Alimentar e o intercâmbio com idosos, a quem os alunos deram aulas de informática [LER_MAIS] e com quem aprenderam a fazer lavores.
Mais do que os conhecimentos adquiridos, Ana Frazão destaca a experiência e os laços que se criaram e que ainda perduram. “Há alunos que já saíram da escola e que continuam a visitar esses idosos.”
Os voluntários do Agir fazem também gestão de um banco de roupa, onde os alunos podem deixar vestuário que já não lhes serve e levar outro à sua medida. Além da partilha, estimulam-se conceitos relacionados com a sustentabilidade ambiental.
No âmbito do projecto já foram também realizadas campanhas de recolha de material escolar e de leite em pó, que beneficiou a ONGD Helpo, que desenvolve trabalho humanitário e outra de jogos e de material didáctico a favor da unidade de oncologia do Hospital Pediátrico de Coimbra.
“Uma das missões da escola é 'ensinar' os alunos a estar no mundo. E isso faz-se muito através de projectos desta natureza”, conclui Alda Reis, adjunta da Direcção do Agrupamento de Escolas Conde de Ourém.
1.000
candidaturas apresentadas na primeira edição do programa Escola Amiga da Criança, que
nasceu em 2018 e que distinguiu mais de 300 estabelecimentos com o selo do projecto. Este ano, as candidaturas podem ser submetidas até ao dia 5 de Abril, no site https://www.leyaeducacao.com/escolaamigadacrianca










