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O que são as Terras Raras e porque todos as querem?

Na Europa, as Terras Raras são amplamente utilizadas no fabrico de ímanes permanentes

Ana Pires, Doutorada em Eng.ª do Ambiente Ana Pires, Doutorada em Eng.ª do Ambiente
8 de Março de 2025
em Opinião
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Ana Pires, Doutorada em Eng.ª do Ambiente
Ana Pires, Doutorada em Eng.ª do Ambiente8 de Março de 2025

As Terras Raras são muito procuradas pela indústria tecnológica (computadores, smartphones), baterias e tecnologias limpas e de ponta. Por isso, as Terras Raras são fundamentais para a economia global e dos países que pretendem estar na vanguarda destes setores. Sem elas, a evolução para uma sociedade mais sustentável e tecnologicamente integrada estaria comprometida.

Mas o que são Terras Raras? As Terras Raras correspondem a um conjunto de 17 elementos químicos, com nomes como disprósio, cério, neodímio, a sua maior parte pesados. As Terras Raras fazem parte de um grupo de materiais designados por Matérias-Primas Críticas.

Em 2011, a Comissão Europeia identificou um grupo de 14 matérias-primas críticas e designam-se por “críticas” porque são essenciais à economia europeia e têm em elevado risco associado ao seu fornecimento. Em 2023, o número subiu para 34. Segundo a Comissão Europeia, 100 % das Terras Raras de elementos pesados consumidas na União Europeia vêm da China. A China é o principal fornecedor a nível mundial.

Para além dos depósitos, a China também possui um vasto número de patentes para a produção de Terras Raras, o que constitui um obstáculo para que se possam processar Terras Raras à grande escala. Outros depósitos de Terras Raras existem, localizados no Brasil, Vietnam, Rússia e Índia. A Europa também tem depósitos, na Noruega, Suécia e Ucrânia, mas não explora nenhuma mina de Terras Raras. A extração e o processamento desses elementos, no entanto, apresentam desafios significativos.

A produção de Terras Raras é altamente poluente e perigosa, uma vez que estão frequentemente associadas a elementos radioativos. O processo de separação também exige grandes quantidades de produtos químicos, com um alto risco de contaminação ambiental. Na China, a falta de medidas eficazes de controle da poluição resultou na contaminação do solo e da água, afetando ecossistemas e a qualidade de vida da população. Na Europa, as Terras Raras são amplamente utilizadas no fabrico de ímanes permanentes. O mercado dos ímanes permanentes é de 6,5 mil milhões de euros e a tendência é para aumentar, devido à eletrificação da indústria automóvel.

A estratégia europeia passa pela redução do teor em Terras Raras nos ímanes. Novos métodos de fabrico para que os ímanes permanentes possam ser desmantelados e reciclados, numa lógica de economia circular, são uma abordagem a adotar num futuro próximo.

Também a descoberta de novos materiais magnéticos é urgente, sendo necessário integrar áreas do conhecimento emergentes como a Inteligência Artificial e a Nanoengenharia, para que se consiga alcançar a independência das Terras Raras e das Matérias-Primas Críticas. 

Texto escrito segundo as regras do novo Acordo Ortográfico de 1990 

Tópicos: acordoAna PiresbrasilchinaeconomiaeuaeuropaextraçãoindústriaLeiriamatériasminasopiniãoperigosaspoluiçãoregião de Leiriaterras raras
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