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O que se passa com o bagaço de azeitona?

Em Espanha, o mercado do bagaço de azeitona para aquecimento das habitações tem uma dimensão de 50 milhões de euros

Ana Pires, Doutorada em Eng.ª do Ambiente Ana Pires, Doutorada em Eng.ª do Ambiente
17 de Maio de 2025
em Opinião
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Ana Pires, Doutorada em Eng.ª do Ambiente
Ana Pires, Doutorada em Eng.ª do Ambiente17 de Maio de 2025

Nos últimos tempos, foi notícia que o Ministério do Ambiente e da Energia decidiu classificar os caroços de azeitona — vulgarmente conhecidos por bagaço — como subproduto, deixando de os considerar um resíduo. À primeira vista, esta distinção pode parecer meramente semântica, mas na prática tem implicações significativas.

Segundo o Regime Geral da Gestão de Resíduos (RGGR), um resíduo é algo de que o seu detentor se quer desfazer, por não ter valor económico. Pelo contrário, um subproduto é algo que, apesar de não ser o objetivo principal do processo produtivo, tem valor e pode ser reutilizado de modo seguro, sem necessidade de tratamento adicional além do habitual numa prática industrial.

No caso do bagaço de azeitona, que resulta da produção de azeite, a sua reclassificação como subproduto só é possível se estiver assegurada a sua utilização posterior, ambientalmente segura e sem risco para a saúde humana. Esta alteração, ao reduzir a burocracia e os encargos associados à gestão de resíduos, facilita a sua comercialização. A desclassificação deste resíduo traz benefícios económicos relevantes.

Segundo o jornal Público, um dos destinos previstos para o caroço de azeitona é o aquecimento doméstico, em caldeiras a pellets. Em Espanha, o mercado do bagaço de azeitona para aquecimento das habitações tem uma dimensão de 50 milhões de euros. Estima-se que, na última campanha de azeite, tenham sido produzidas cerca de 156 mil toneladas de bagaço. Este poderá agora ser vendido pelos lagares, criando uma nova fonte de rendimento. O caroço de azeitona limpo e triturado é comercializado a cerca de 213 €/ tonelada — um valor competitivo face aos pellets de madeira, cujo custo ronda os 232 €/tonelada.

Ambientalmente, a utilização deste subproduto como combustível pode ser positiva. A queima de caroço de azeitona substitui combustíveis fósseis, contribuindo para a redução de emissões com impacte climático. As emissões desta biomassa são consideradas neutras, uma vez que o carbono libertado foi previamente absorvido pela oliveira.

Contudo, esta solução não está isenta de críticas. Segundo a hierarquia da gestão de resíduos, a queima para produção de energia deve ser uma das últimas opções, atrás da prevenção, reutilização e reciclagem. Importa, por isso, avaliar cada caso tendo em conta todo o sistema, com recurso a metodologias como a avaliação do ciclo de vida, que consideram os impactes ambientais e económicos.

A discussão sobre o destino do bagaço de azeitona está longe de ser fechada. Mas uma coisa é certa: valorizar este recurso pode significar ganhos para a economia local, para o ambiente e para a sustentabilidade do setor oleícola. 

Texto escrito segundo as regras do Novo Acordo Ortográfico de 1990 

Tópicos: Ana Piresaquecimentoazeiteazeitonabagaçocaroçoeconomiaenergiahabitaçãojornal de leirialagarLeiriaopiniãoproduçãoqueimasubproduto
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