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Home Opinião

O trânsito do nosso descontentamento

O trânsito de Leiria em horas de ponta está um caos

Nuno Santos, Engenheiro Florestal Nuno Santos, Engenheiro Florestal
22 de Novembro de 2023
em Opinião
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Nuno Santos, Engenheiro Florestal
Nuno Santos, Engenheiro Florestal22 de Novembro de 2023

Durante os últimos três anos, desabituei-me do trânsito caótico da cidade de Leiria. Tendo como destino diário as Caldas da Rainha, saía a horas sem trânsito e a verdade é que fiquei mal habituado. A partir de 2021, com o aumento do trânsito pós-pandemia, do preço dos combustíveis, aliado ao cansaço, comecei a procurar alternativas ao automóvel. 

Revelou-se difícil, pois os horários dos expressos entre Leiria e Caldas da Rainha, não eram compatíveis para quem necessita de cumprir horários de trabalho e os preços não eram apetecíveis. Porém, com um pequeno ajuste no horário de trabalho, entrando mais cedo, o comboio talvez fosse uma hipótese. E assim foi. Munido do passe mensal por 63€ mensais, passei a fazer o trajecto diário entre Leiria e Caldas da Rainha, sendo mais um, de uma mão cheia de trabalhadores, entre engenheiros, professores, agentes da autoridade e funcionários públicos, que diariamente apanha o comboio às 6h25, com destino à zona Oeste. 

Durante ano e meio fui utilizador frequente do comboio, e habituei-me às supressões e greves que pautaram o ano passado, tendo como alternativa, nesses dias, o expresso low cost que entretanto surgiu. Recentemente, mudei para mais perto, mas já calculava que iria sofrer com o trânsito.

O destino diário agora é a Marinha Grande. O comboio já não é opção, pois embora o trajecto demore apenas 9 minutos, antes das 10h00 apenas existe o tal horário das 06h25, e a estação fica fora de mão. Com a logística escolar dos miúdos, o uso do automóvel é imprescindível, para o bem e para o mal. 

Quando o dia começa com chuva, já sei que a Rua Paulo VI, trajecto para o Agrupamento de Escolas Correia Mateus, vai encravar desde os semáforos até à rotunda das Olhalvas, com atrasos de meia-hora. Seguindo para o IC2, a rotunda da Ferrus, é outro ponto de estrangulamento, que no sentido Leiria Sul apenas descongestiona com as três faixas da A19. Não é bem assim, pois a saída para Leiria/Marinha Grande junto ao Caiado, congestiona facilmente na rotunda da N242/Estrada da Marinha, sobretudo devido aos carros que querem contornar a rotunda para entrar em Leiria e apanham os que já vêm da Marinha Grande. As filas na IC2/A19 no sentido Leiria Sul /Lisboa com carros parados na berma, para não ocuparem a faixa de rodagem são constantes. Será que os acessos e saídas desta rotunda não podem ser alargados para o trânsito fluir mais facilmente? Convenhamos que este nó não foi bem planeado e a construção do novo hotel nesta localização é questionável.

O IC36, de ligação da A8 à A1, que poderia servir como circular externa, com os pórticos estrategicamente posicionados como estão, impede que os leirienses possam usar esta via diariamente como alternativa economicamente viável nos seus trajectos de deslocação na cidade. Diria que foi uma oportunidade perdida.

A solução passará pelo aumento dos transportes públicos e dos estacionamentos periféricos, desincentivando o uso do automóvel? Em horas de ponta, será pouco viável. Decerto a CIM da Região de Leiria e a Câmara Municipal de Leiria têm o Sistema de Mobilidade para o território pensado, mas sem intervenções ao nível dos pontos de estrangulamento desta cidade, a situação será de difícil resolução a curto prazo.

Tópicos: automóvelcarrocomboioengenheiro florestalfilasLeiriaMarinha GrandeNuno Santosoesteopiniãoregião de Leiriasemáforostrânsito
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