O que vê em Leiria para elogiar, e, por outro lado, para melhorar?
Ainda é muito cedo para responder. Estou aqui desde o dia 17 de Maio. Ainda não tive tempo de visitar museus, quero visitar, quero conversar com os meus colegas das outras áreas, até porque este não é um trabalho isolado, um trabalho solitário, isto só tem razão de ser se for um trabalho conjugado com todas as forças e um trabalho sério. O que vejo em Leiria é realmente muita força. Ainda não tive tempo para fazer uma leitura do território, para fazer uma leitura das pessoas. O que vejo são forças culturais com muita vontade de trabalhar. Leiria tem vontade. E isso é uma mais-valia. Como dizia o Saramago, é preciso sair da ilha para ver a ilha. E talvez às vezes olhares exteriores possam permitir acrescentar algum valor. Não vou fazer milagres. Não venho descobrir a pólvora. Principalmente, aqui num Castelo que está carregado de história.
As funções de programador cultural no Castelo de Leiria, que assumiu em Maio, vão implicar um conceito, uma ideia, uma estética de programação? Ou o objectivo é uma programação generalista e transversal?
Neste momento estou a trabalhar só no que estava já programado. Há que o fazer. E tem resultado. Mas pretendo apresentar uma linha de programação desafiante. Vejo-me mais como um mediador cultural do que como um programador cultural. Acho que a Cultura deve estar sempre a desafiar o outro. Devemos estar sempre a ler os outros e a desafiá-los. Posso, por vezes, não ser fácil, porque não sou uma pessoa que só dê aos públicos aquilo que eles pretendem, ou seja, não sou um programador de entretenimento, mas um programador de desafios. Gosto de projectos alternativos. Pôr a minha cabeça a prémio e ser um pouco atrevido. Sabendo medir os riscos, porque não posso pensar e estar a fazer uma programação totalmente vanguardista e alternativa e depois não ter espectadores. Tem de se ir nivelando. Depende também daquilo que sejam as directrizes e instruções políticas.
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