– Já não há paciência… para o pó do pinheiro, as manchas de bolor nos tectos, para as pessoas que respondem pelos outros sem ninguém lhes pedir, para os fascistas disfarçados de Power Ranger e, honestamente, para o funk brasileiro.
– Detesto… areia na cabeça, pés frios, engomar roupa a ferro, dióspiros, mentirosos compulsivos, salamandras a aparecerem-me de surpresa no caminho, pisar caracóis sem querer, filmes de terror, vinho (não consigo aprender a gostar) e falsos beatos que levantam a bandeira do bem, mas que facilmente têm dores nas costas.
– A ideia… de conseguir viver sem trabalhar era muito porreira. Ser autossubsistente apenas com o pensamento de o conseguir, seria algo inovador que eu gostaria, quem sabe um dia, de implementar na vida das pessoas. Viver sem correr, mesmo quando se gosta de correr.
– Questiono-me se… vou viver até os músculos do “adeus” sucumbirem à gravidade do tempo, se alguma vez vou conseguir dizer que não de forma mais eficiente e se os pirilampos vão ficar em vias de extinção por causa das palermices humanas.
– Adoro… gatos e cães, dias de chuva e o cheiro da terra molhada no outono, os abraços dos meus filhos, correr na serra quando o frio faz chorar os olhos, escrever sem pensar, ouvir música aos berros no carro, ler até ficar com dores no pescoço, arrancar ervas daninhas do jardim e dançar.
– Lembro-me tantas vezes… do meu pai, dos meus avós, do pão quente com açúcar e azeite, das tardes a alimentar formigueiros com torrões de açúcar, das voltas de bicicleta e dos joelhos esfolados, dos domingos a ver Fórmula 1 e de escrever poemas à lareira enquanto comia maçãs.
– Desejo secretamente… que de um dia para o outro os ditadores do mundo terminem o prazo de validade e sucumbam à reciclagem e à incineração.
– Tenho saudades… do tempo sem telemóveis.
– O medo que tive… do mar ainda hoje me atormenta. São pazes difíceis de fazer.
– Sinto vergonha alheia… das pessoas sem noção, da falta de educação disfarçada de pseudoengraçados, daqueles que sabem sempre tudo antes de toda a gente: os espertos com cursos online de 25 horas.
– O futuro… deixo-o acontecer no tempo dele. Faço um esforço para não passar muito tempo a dar-lhe crédito porque corro o risco de me esquecer de estar no presente.
– Se eu encontrar… sempre o equilíbrio e a serenidade no meu discurso, por favor, venham comigo ao médico: ou estou louca ou tenho Alzheimer.
– Prometo… não prometer nada: já sou menina para ter névoas mentais e, o mais certo, é esquecer-me do que prometi.
– Tenho orgulho… na minha família, da educação exemplar da minha cadela Charlie, que já não faz xixi no tapete, de não desistir mesmo quando é difícil e de conseguir rir de mim própria.










