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Pedrógão Grande: Dúvidas sobre reconstrução de segundas habitações continuam por esclarecer

Técnico da CCDRC não soube indicar onde estava escrito que as casas de habitação não permanente não eram para ser intervencionadas no âmbito do Fundo Revita

Elisabete Cruz Elisabete Cruz
12 de Abril de 2021
em Sociedade
Pedrógão Grande: Dúvidas sobre reconstrução de segundas habitações continuam por esclarecer
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Apesar das insistências de alguns advogados em esclarecer o que dizia o regulamento do Fundo Revita quanto aos apoios à recuperação das casas de segunda habitação, um dos elementos que integrou a comissão técnica da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) não conseguiu precisar que essa regra constava num documento.

José Henriques Pinheiro afirmou que o “foco total eram as habitações de carácter permanente”, ou seja, aquelas “onde as pessoas tinham o centro da sua vida”, informação que terá sido referida “várias vezes de forma verbal pelo presidente do conselho de gestão”.

O técnico afirmou que “inicialmente não havia disponibilidade financeira para que todas as habitações” pudessem ter intervenção, por isso, “a comissão técnica usava o critério de priorização das habitações permanentes”.

No entanto, confrontado com uma acta da reunião da comissão técnica em que participou e que referia que “tudo o que ardeu era para reconstruir”, o que concluiu um dos advogados “ as segundas habitações não estavam excluídas”, a testemunha limitou-se a sublinhar que a prioridade eram as primeiras habitações.

José Henriques Pinheiro afirmou que para as segundas habitações “havia outros programas de apoio”

“Na análise que fizemos, as segundas habitações eram rejeitadas. Essa hipótese não era aceite, até porque havia outros apoios. Quando surgiam dúvidas ou falta de documentos contactávamos as câmaras municipais”, afirmou.

Ouvido enquanto testemunha no julgamento do processo que julga alegadas irregularidades no processo de reconstrução das casas após o incêndio de Pedrógão Grande, o técnico disse ainda que quando se depararam com o valor que o Fundo Revita ainda retém – cerca de sete milhões de euros – após a intervenção de todas as primeiras habitações, “não houve informação para avançar, talvez porque existem outros programas para isso”.

Sobre a aprovação de processos de casas de pessoas que estavam a residir noutro concelho e que apresentaram essa mesma documentação, a testemunha referiu que o parecer positivo terá sido “certamente” sustentado “com base nas justificações apresentadas pelo município”.

“A comissão nunca contactava os requerentes, era sempre a câmara municipal.”

José Henriques Pinheiro revelou ainda que “numa comissão técnica houve um denúncia da presidente de Castanheira de Pera, sobre informações que lhe tinham chegado” sobre uma alegada fraude.

“Propusemos à comissão de gestão que suspendesse as decisões que tinham sido tomadas anteriormente e as instâncias judiciais estiveram a recolher informação”, afirmou técnico, explicando que a suspeita não se confirmou.

O julgamento das alegadas irregularidades no processo de reconstrução das casas que arderam no incêndio de junho de 2017 no concelho de Pedrógão Grande e que alastrou a municípios vizinhos tem 28 arguidos.

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, e o ex-vereador deste município Bruno Gomes estão entre os arguidos. Estão pronunciados por 20 crimes de prevaricação de titular de cargo político, 20 crimes de falsificação de documento e 20 crimes de burla qualificada, os mesmos do despacho de acusação.

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