PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assinar desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Home Sociedade

“Pensei que era daquela vez”

Elisabete Cruz Elisabete Cruz
26/10/17 12:10
em Sociedade
“Pensei que era daquela vez”
Share on FacebookShare on Twitter

Arriscam a vida sem pensar. O que os move é a protecção do próximo e foi isso que todos os bombeiros envolvidos no combate ao incêndio do passado dia 15 de Outubro fizeram ao longo da linha de costa, entre as localidades de Burinhosa (Alcobaça) e do Carriço (Pombal). Uma viatura dos Bombeiros Voluntários de Leiria foi consumida pelas chamas, na zona do Grou, perto do Coimbrão, e o mesmo sucedeu com o veículo dos Bombeiros Municipais de Leiria, em Água Formosa, perto de Moinhos de Carvide. Os bombeiros conseguiram fugir das chamas, mas não ganharam para o susto.

“Por momentos pensei que era daquela vez”. A frase é de Nelson Pereira, 43 anos, chefe da equipa dos cinco elementos da 6.ª companhia dos Cardosos dos Voluntários de Leiria, que perderam o veículo de combate a incêndios. Este grupo foi solicitado para tentar proteger uma casa que estava em perigo. Depois de calcularem todas as condições de ataque às chamas foram para a frente de fogo, mas “de repente houve uma reviravolta e o veículo parou”.

Quando viram que não tinham hipóteses de sair dali com a viatura, fugiram como puderam. “Foi muito complicado. Temi pela vida”, confessa, adiantando que foi a primeira vez em quase 20 anos de voluntário que pensou que poderia não sobreviver.

O fumo intenso tornou-os ‘cegos’ e desorientou-os. “Não se via nada a cinco metros. A equipa esteve semprejunta e foi o que nos salvou. O comandante adjunto foi ao nosso encontro e saímos para um local seguro”, conta ainda Nelson Pereira. Os breves segundos em que sentiram o calor das chamas e o fumo intenso pareceram horas. “Apesar de termos formação, quando ficamos sem ver há sempre alguma desorientação e nesse momento não se pensa em nada. São segundos que parecem uma eternidade a passar. Só depois de estarmos todos a salvo no jipe é que pensei na família e em tudo o que ficou no carro.”

Resgatados para o quartel de Monte Redondo, receberam apoio psicológico e os ‘mimos’ do comandante Luís Lopes pelo telefone. “Apesar de jovem, é um homem que está do nosso lado e nos deixa ‘derretidos’”, desabafa, com a voz embargada pela emoção.

O inferno do fogo
 [LER_MAIS] Nelson Pereira afirma que já participou no combate a diversos incêndios, mas o do dia 15 parecia mesmo um inferno. “Tudo acontecia muito rápido. O vento e o tempo quente contribuíram para as chamas traiçoeiras. A nossa preocupação era salvar as casas e as pessoas, pois tínhamos consciência que não havia meios para apagar o incêndio.”

Depois de toda a adrenalina vivida nessa noite, Nelson Pereira ‘quebrou’ quando chegou perto da família. Casado e pai de um menino de 10 anos, pensou em tudo o que podia acontecer. Admite que é um herói para o filho e lamenta o pouco tempo que lhe dedica.

Motorista de pesados, abdicou das rotas internacionais, apesar de serem mais bem remuneradas, para ter disponibilidade para os bombeiros. O susto não o fez desistir. “No dia seguinte já estava pronto para regressar.” Dos cinco elementos, com idades entre os 20 e os 47 anos, registou-se um ferido ligeiro.

Projecções à retaguarda obrigam a fuga
Leonardo Pereira, que integrava a equipa de quatro elementos dos Municipais de Leiria, cuja viatura também foi consumida pelas chamas na noite de 15 de Outubro, garante que foram a preparação física e a formação adquirida que salvaram o grupo.

Enviados para Água Formosa, em Moinhos de Carvide, para proteger habitações em risco, os bombeiros fizeram o reconhecimento da área e os meios foram posicionados na zona. Aguardaram que o fogo chegasse ao seu encontro. “Quando há contacto com a frente de fogo surgem projecções à retaguarda com alguma intensidade”, conta Leonardo Pereira, acrescentando que as altas temperaturas e a rapidez de propagação do incêndio os obrigaram a abandonar o local.

A viatura acabou por se imobilizar e os bombeiros tiveram de fugir. O fumo cerrado desorientou-os e “gerou-se algum pânico”, apesar de o grupo manter-se unido e procurar uma saída. Todos conseguiram, pouco depois, chegar perto de uma casa, onde se refugiaram até à chegada dos meios de apoio.

“O objectivo era sair dali. A adrenalina estava ao máximo e tentámos controlar o pânico. Os bombeiros são pessoas e também têm medo, mas a sua formação ajuda-os a enfrentar estas situações complicadas. O veículo foi abandonado, sobretudo, pela fraca visibilidade”, frisa Leonardo Pereira.

Foi depois de estar em segurança que o bombeiro profissional pensou em tudo o que passou. “Tive a real noção da importância fundamental da formação, da nossa preparação física e dos equipamentos de protecção individual. Estávamos em terreno de areia, com uma grande intensidade de calor e conseguimos fugir rapidamente. Houve apenas queimaduras num bombeiro, mas devido ao calor do fato em contacto com a pele.”

Regressados ao quartel, todos voltaram ao activo pouco depois. “Não havia mãos a medir para as ocorrências. Tirando o bombeiro que teve de receber tratamento, todos nos disponibilizámos de imediato para voltar ao terreno.”

Não foram para o grande incêndio, mas acorreram a outras chamadas de socorro que continuaram a cair na linha dos Municipais. “Estamos nos bombeiros porque gostamos muito do que fazemos. Não é o dinheiro que nos motiva, mas como diz o lema, é ‘a vida pela vida’. É a entrega à causa pública e temos esse espírito de missão, que nasce connosco. Sabíamos que não iríamos extinguir o incêndio, porque não tínhamos condições, mas a preocupação era salvar as pessoas e bens.”

 

Carta ao ministro
“Não 'gozem' com os meus bombeiros”

O comandante dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande, Vítor Graça, enviou uma carta aberta ao ministro da Agricultura, na qual exige que o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) cumpra as suas funções. "Infelizmente, observo que continuamos a ser desrespeitados enquanto operacionais, com impacto nas nossas vidas pessoais e familiares, por entidades com rostos e nomes, que existem, não cuidam nem cumprem o que está legislativamente escrito. E é nesse sentido que esta carta surge, pedindo por favor para que quem tem essas responsabilidades que as assuma e execute, e que acima de tudo não 'gozem' com os meus bombeiros." Vítor Graça refere que a “vigilância pós-rescaldo está determinada, quer sob a forma de lei, quer nas Directivas Operacionais Nacionais, que deverá ser realizada por sapadores florestais (ICNF-Matas Nacionais, na nossa área)”. “É triste que descarreguem mais esse fardo e responsabilidade, em quem anda exausto, não lhe compete assumila, não é dono, tem que assegurar todos os outros serviços operacionais, e tem que recuperar energias, pois os alertas não prometem descanso", acrescenta o comandante. Também Paulo Vicente, presidente da Câmara da Marinha Grande que terminou funções ontem, disse estar "preocupadíssimo" com a falta de vigilância do ICNF, que “tem a responsabilidade da vigilância após o rescaldo dos incêndios e não o está a fazer”. “Se não têm pessoal, contratem-nos, porque nós também não temos. Os nossos bombeiros estão exaustos." O JORNAL DE LEIRIA tentou obter uma reacção do ICNF, mas até ao fecho da edição não houve resposta. À Lusa, o presidente do ICNF, Rogério Rodrigues, refutou as queixas, mas admitiu que, dada a dimensão dos incêndios, possa existir alguma "pequena" falha por falta de recursos, mas "nunca porque os sapadores desarmem daquilo que é a sua actividade diária".

Tópicos: bombeirosIncêndiospinhal de leiriasociedade

RELACIONADOS

Marinha Grande acolhe palestra sobre IA- Impacto e principais mudanças
Sociedade

Marinha Grande acolhe palestra sobre IA- Impacto e principais mudanças

Setembro 11, 2026
Menor velocidade e separadores centrais podem reduzir acidentes fatais no IC8
Sociedade

Menor velocidade e separadores centrais podem reduzir acidentes fatais no IC8

Setembro 10, 2026
Pais reclamam quase 500 mil euros pela morte de filho em queda de baliza em Leiria
Sociedade

Pais reclamam quase 500 mil euros pela morte de filho em queda de baliza em Leiria

Setembro 9, 2026
Próxima publicação
Leiria ganha associação de doentes Da dor para a Dor

Leiria ganha associação de doentes Da dor para a Dor

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Inqualificável

Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

MAIS VISTOS

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

Setembro 12, 2026
Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Setembro 12, 2026
Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Setembro 12, 2026
Inqualificável

Inqualificável

Setembro 12, 2026
Sónia Gonçalves Pereira, Médica, investigadora
Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

Setembro 12, 2026
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assinar desde 0,39€ por semana
  • Subscrever newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Comunidades
  • 50 anos do Poder Local
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • É quinta-feira, foge comigo
  • Palavra de honra
  • Críticas
  • Fotogalerias
  • Estatuto editorial
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?