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Home Depressão Kristin

Pinhal de Leiria: há povoamentos adultos afectados em mais de 90%, diz ICNF

Cláudio Garcia Cláudio Garcia
20 de Fevereiro de 2026
em Depressão Kristin
Situação no dia 30 de Janeiro, dois dias após o temporal

Situação no dia 30 de Janeiro, dois dias após o temporal (Foto: Ricardo Graça)

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Uma parte substancial dos 1.200 hectares de povoamentos florestais adultos da Mata Nacional de Leiria (MNL) foi afectada em mais de 90% pela passagem da depressão Kristin, com danos igualmente em infraestruturas de apoio à gestão, avança o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Na sequência da tempestade, diz o organismo que gere o Pinhal de Leiria, localizado inteiramente no concelho da Marinha Grande, foram accionados de imediato mecanismos para apoio às populações, desobstrução de vias florestais de comunicação e acções de estabilização de emergência pós-catástrofe.

“Foi já assegurado o desimpedimento das principais rodovias que atravessam a MNL, mantendo-se algumas estradas florestais com acesso condicionado”, adianta o ICNF, situação que o JORNAL DE LEIRIA confirmou no terreno.

A remoção de material lenhoso danificado é considerada “imprescindível” na “primeira fase” do processo que se segue e o ICNF avisa que “a recuperação dos ecossistemas naturais é um processo de médio a longo prazo, que decorrerá ao longo dos próximos anos”.

“A quantificação exacta dos povoamentos afectados apenas será possível após a conclusão dos trabalhos de campo, trabalhos esses também sujeitos às limitações decorrentes das condições meteorológicas que se verificaram”, é referido na resposta enviada ao JORNAL DE LEIRIA.

Zona do Orbitur, em São Pedro de Moel (Foto: Jornal de Leiria)

De acordo com o ICNF, “a esmagadora maioria da área intervencionada na recuperação da MNL após o incêndio de 2017 não foi afectada pela depressão Kristin”.

No entanto, muito do que não ardeu em 2017 tombou em 2026. A depressão Kristin deixa um cenário de devastação na Mata Nacional de Leiria, com milhares de pinheiros destruídos ou arrancados pela raiz, incluindo, algumas das árvores mais antigas, que resistiram a tudo nas últimas décadas, mas não à força do vento na madrugada de 28 de Janeiro.

Uma das árvores que o mau tempo deitou por terra é o “Eucalipto do Tremelgo”, um exemplar com mais de 165 anos e 53 metros de altura. Conhecido como “Gigante do Tremelgo”, era considerada uma árvore de interesse público.

Gigante do Tremelgo (Foto de Ricardo Graça – Jornal de Leiria)

Na zona do Tremelgo, outras árvores de grande porte caíram e o parque de merendas está bastante danificado.

Pelo contrário, mantém-se de pé, mesmo danificado, o conjunto de ciprestes dos pântanos (ou taxódios) no parque de merendas da Garcia, únicos exemplares da espécie na Mata Nacional de Leiria que sobreviveram ao incêndio de 2017 – também classificados como arvoredo de interesse público, têm mais de 100 anos e uma altura acima dos 30 metros.

Parque de Merendas da Garcia (Foto: Jornal de Leiria)

Vários talhões que escaparam ao grande incêndio de 2017, sendo alguns deles dos núcleos com mais idade actualmente, foram arrasados pelo mau tempo associado à depressão Kristin.

As equipas do ICNF estiveram no terreno logo desde os primeiros dias e actualmente continuam a proceder à avaliação dos danos, identificação de riscos que ainda se mantenham e definição de medidas de estabilização e recuperação necessárias.

“Mantêm-se ainda em execução por parte do ICNF as actividades prioritárias dirigidas à segurança de pessoas e bens, estabilização de solos e prevenção de riscos ambientais adicionais, em articulação com a autarquia, outras entidades e agentes de protecção civil”, garante o instituto.

“O ICNF procede diariamente à monitorização das zonas afectadas na MNL, atentos ao potencial de risco existente, designadamente no que respeita à queda de ramos em zonas mais expostas ao vento”, é referido na mesma nota.

Sexta-feira, 30 de Janeiro (Foto de Ricardo Graça – Jornal de Leiria)

A recuperação da MNL será faseada e baseada nos resultados das avaliações em curso, respeitando os ciclos naturais e a resposta do ecossistema, sendo a remoção de material lenhoso danificado a primeira fase imprescindível deste processo, ainda de acordo com o ICNF, paralelamente ao qual será mantido o Plano de Controlo de Espécies Exóticas Invasoras Lenhosas.

Tópicos: KristinMarinha GrandeMata Nacional de Leiriapinhal de leiria
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