Uma marta furtiva, um garça de pescoço esguio, um ouriço-cacheiro cheio de picos, uma libelinha, uma cobra de grandes dimensões e os peixes do Rio Arunca.
É esta a fauna autóctone que passou a povoar o Parque Verde do Açude, em Flandes, à entrada de Pombal, e o parque infantil fronteiriço, esculpida nos troncos dos pinheiros-mansos que a tempestade Kristin derrubou em Janeiro.
O processo para criar as 12 peças contou com duas etapas, primeiro, os próprios trabalhadores municipais fabricaram mesas, bancos, um jogo das damas, um jogo da macaca e letreiros para sinalizar o rio, o parque e o campo de futebol, trabalho ainda em conclusão.
Depois, a vertente mais artística foi entregue ao escultor Zé Justino, a quem foi dada liberdade para se inspirar.
O artista optou por dar uma forma às peças que fosse uma homenagem ao Rio Arunca, à sua fauna e à flora da região.
Além dos animais, esculpiu o curso de água e os seus peixes e, junto dos baloiços, criou figuras que as crianças podem usufruir, entre elas um barco e uma baleia, alusão à proximidade do mar e da Praia do Osso da Baleia.
Há ainda a “escultura da resiliência”: um homem liberta-se de um cepo renascendo após a adversidade.
A decisão nasceu de um “aperto no coração”, como admite Pedro Pereira.
O engenheiro florestal da Câmara de Pombal recorda ter ficado “um bocadinho transtornado” ao ver o estrago e ao ter de retirar árvores que ali estavam há décadas, sob cuja sombra os pombalenses fizeram piqueniques e viveram tempos felizes.
Transformar a madeira em tábuas não lhe parecia um uso nobre. Em Maio, a autarquia já tinha promovido uma escultura noutra iniciativa e a ideia de aproveitar os troncos para bancos e peças artísticas, ganhou corpo.
“É evocativo das grandes árvores que durante décadas deram sombra a esta zona”, sublinha Pedro Pereira.
As obras estão instaladas junto ao parque infantil e do Parque Verde do Açude, à beira-rio.
Quem passeia pela margem encontra agora, figuras que contam a história natural do concelho e lembram a tempestade que alterou a paisagem.
Para substituir os pinheiros, o local vai receber freixos, lódãos, amieiros e espécies adequadas às zonas ribeirinhas, já com algum porte, que se juntam aos pinheiros plantados em anos recentes.
Em Julho, uma empresa especializada avaliou o arvoredo em risco, fez podas e instalou cabos para estabilizar as copas.



















