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População do Juncal contesta criação de central solar com 20 mil painéis

Parque solar, a instalar no concelho de Porto de Mós, vai ocupar 20 hectares de floresta.

Maria Anabela Silva Maria Anabela Silva
17 de Julho de 2022
em Sociedade
População do Juncal contesta criação de central solar com 20 mil painéis
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A população do Juncal, no concelho de Porto de Mós, está preocupada com a instalação de uma central fotovoltaica na freguesia, que irá obrigar à desmatação de 20 hectares floresta.

Numa sessão de esclarecimento realizada recentemente, que contou com a presença de cerca de cinco dezenas de pessoas, os moradores alegaram que se irá “destruir” uma zona que funciona como “pulmão verde” da freguesia e manifestaram- se preocupados com a proximidade da central a algumas habitações e com eventuais problemas no escoamento de águas, atendendo à “orografia do terreno”.

Em resposta, os representantes da Tecneira, a empresa que irá instalar o parque, já aprovado, asseguraram que o projecto “cumpre todos os requisitos legais” e que a instalação dos painéis será feita com “estacas simples”, permitindo que a água se infiltre “naturalmente” no solo.

Por seu lado, o presidente da câmara, Jorge Vala, sublinhou que o município “não tinha como dar parecer negativo ao projecto”, uma vez que o Plano Director Municipal (PDM) prevê que em terrenos de Reserva Ecológica Nacional, como é o caso, possam ser instaladas unidades de produção de energia renovável.

Em causa está uma central fotovoltaica com capacidade para produzir 19 GWh (Gigawatt hora), suficientes para fornecer energia a cerca de 5.800 habitações, revelou João Ramos, engenheiro da Tecneira, durante a sessão.

O técnico avançou ainda que os 20 mil painéis irão ocupar 20 dos 37 hectares de terreno afectos ao projecto e que a central terá uma “vida útil de 30 anos”, findo os quais será “desmantelada”. Segundo o representante do promotor, esta central permitirá “evitar a emissão de 7.235 toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano”.

“Sustentabilidade não é só ter energias renováveis. É também ver o impacto negativo que este tipo de projectos pode ter no ambiente e nas comunidades”, contrapôs Cristina Rosa, uma das moradoras que interveio na sessão, salientando que a “floresta que vai ser destruída” também “absorvia CO2”. A munícipe chamou ainda a atenção para o “risco de erosão” que considera estar associado ao projecto, pelo que devia ser efectuado um Estudo Impacto Ambiental (EIA).

O presidente da câmara alegou que o município também defendeu a realização dessa avaliação, mas tanto a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) como a Agência Portuguesa do Ambiente dispensaram o projecto de EIA, por a dimensão ser inferior àquela que a legislação define como critério para que a avaliação ambiental seja obrigatória.

Reconhecendo que “os donos do terreno têm o direito de tirar lucro do investimento que fizeram”, João Manuel Coelho, ex-presidente da Junta do Juncal, confessou-se “triste’por a freguesia ir “perder um pulmão verde e uma zona de desenvolvimento futuro”.

Em resposta, Jorge Vala lembrou que os terrenos “são privados” e que os seus proprietários podiam “cortar as árvores e não reflorestar”.

Por outro lado, a área em causa “não é desafectável” da REN, pelo que, “não se pode considerar que esta é uma zona de expansão da freguesia”, reforçou o presidente da câmara.

Tópicos: central fotovoltaicacontestaçãoenergia solarenergia verdejuncalPorto de mósportugalTecneira
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