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Porquê Marrazes

"Mas ainda assim não é crível que Marrazes seja um topónimo milenar. Por isso a sua origem é mais plausível vir de “masreses”."

Leonel Pontes Leonel Pontes
19 de Novembro de 2015
em Opinião
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Leonel Pontes
Leonel Pontes19 de Novembro de 2015

I Ainda hoje, quando se quer dar nota sobre alguém menos ético, de comportamentos desbragados, usa-se a expressão “não é boa rês!” Ora, se não é boa, então será má rês? 7

II Por volta de 1811 o Arrabalde foi inundado, as águas saltaram as margens do Liz e não pouparam a Igreja de S. Tiago do Arrabalde, esta ficou em ruínas. Os franceses haviam chegado à região e logo se apressaram a ocupar o espaço religioso para aí acomodarem as suas bestas de carga. A igreja fora transformada numa cavalariça e como se compreenderá, o pároco ficou sem meios para celebrar missas e o mais do foro religioso. Porventura, pelo seu valor histórico-religioso, impunha-se a salvar a “Pia Baptismal” e por isso deveria ser retirada da estrebaria levando-a para lugar condigno. Ao que rezam apontamentos históricos fora providenciada a sua mudança para local seguro e zelo, e, assim foi levada para a capela dos Pinheiros. E, por ali ficou por quase duas décadas.

Entretanto o pároco desta região, Joaquim Azevedo, foi desenvolvendo esforços de sapa em ordem a erguer uma nova igreja onde, para além do mais, fosse possível assentar a Pia Baptismal. Por volta de 1828/1829 foi iniciada a construção dum novo edifício que acabaria por ficar no local onde hoje o conhecemos, contando para tanto com o devotado apoio da população e do Fidalgo do Amparo.

Como, historicamente, é sabido ao tempo era a instituição igreja que para além do seu múnus religioso tinha o poder político e legiferante. Assim, com a nova Igreja Matriz emergia a necessidade de dar nome ao lugar (freguesia).

Ainda hoje se diz que o costume faz lei e, vai daí, a população dos Pinheiros não estava pelos ajustes de que a dita “Pia Baptismal” saísse daquele lugar para um outro que nem nome tinha. E, em razão disso o povo daquele lugar fez chegar o seu descontentamento ao Rei. Em 1839 a “Pia” é transferida para a nobel igreja que haveria de receber o orago S. Tiago do Arrabalde, embora sob tutela da freguesia da Sé.

Assim sendo, aos olhos dos cidadãos a existência de uma nova Igreja Matriz sem freguesia não era coisa “católica”. Portanto, é bom de ver, as populações tomaram partido na contenda, e, para uns a “Pia” ficaria em “Pinheiros”, para outros viria para a nova igreja, como de resto veio.

E debaixo do desaguisado os pinheirenses, apressaram a apodar os oponentes “más reses” cujo epiteto viria a dar Marrazes. Admite-se que assim fora. Contudo, há quem defenda que Marrazes já vem dos tempos milenares posto que (na região do Arrabalde) atracariam barcos e aqui eram amarrados. Ora nada mais inverosímil porquanto os sedimentos que existem na região como sejam conchas marinhas fossilizadas (nomeadamente na zona de pedreira, términos da Rua do Martingil) se trazidas foram pelo mar, como é óbvio, nunca um nome de Marrazes se perpetuaria no tempo por milhões de anos.

Acresce dizer que a região foi terra e poiso de judeus. E, porventura poderiam ter deixado raízes dum topónimo parecido com Marrazes, tanto mais que existe o substantivo “marranzano”. Mas ainda assim não é crível que Marrazes seja um topónimo milenar. Por isso a sua origem é mais plausível vir de “masreses”. Este é o meu convencimento e contributo para a história da freguesia de Marrazes. Outros melhor saberão e dirão.

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Tópicos: leonelpontes
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