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Portugal em chamas: planeamento e prevenção

Um país com florestas desordenadas, monoculturas inflamáveis e ausência de gestão, é um país ansioso que espera, continuadamente, pelo desastre

João Caldeira Heitor, Coordenador Científico da Licenciatura em Gestão do Turismo do Instituto Superior de Gestão João Caldeira Heitor, Coordenador Científico da Licenciatura em Gestão do Turismo do Instituto Superior de Gestão
23 de Agosto de 2025
em Opinião
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João Caldeira Heitor, Coordenador Científico da Licenciatura em Gestão do Turismo do Instituto Superior de Gestão
João Caldeira Heitor, Coordenador Científico da Licenciatura em Gestão do Turismo do Instituto Superior de Gestão23 de Agosto de 2025

Portugal volta a enfrentar dias e noites de incêndios que consomem milhares de hectares, com destruição do meio ambiente, de casas, de produções agrícolas, de infraestruturas públicas. Também o turismo, que representa uma parte significativa da nossa economia, sofre um duro golpe com a perda das paisagens naturais que atraem visitantes: as florestas, os montes, os trilhos.

Há sonhos perdidos, para quem investiu em casas de alojamento local, e vê agora um interior cinzento, cada vez mais agreste, vazio e irremediavelmente, despovoado. O turismo acaba por ser uma vítima silenciosa destas tragédias. Paisagens únicas, áreas protegidas e aldeias desaparecem. E quando se perde o que é autêntico, perdem-se visitantes, receitas e emprego.

Combater o fogo é vital, mas não basta. É preciso atuar. O ordenamento do território é a primeira linha de defesa. Um país com florestas desordenadas, monoculturas inflamáveis e ausência de gestão, é um país ansioso que espera, continuadamente, pelo desastre.

Segundo notícia do Público, a área ardida em 2025 é 17 vezes superior à de 2024. Um número que ilustra de forma dramática a dimensão do problema e a urgência em agir. A prevenção não pode ser retórica. Precisa de ações claras: faixas de contenção limpas; mosaicos de uso do solo, alternando agricultura, pastorícia e floresta; incentivos à agricultura para manter o território vivo; benefícios fiscais para proprietários que cumpram boas práticas; formação e sensibilização permanentes das comunidades.

Mas a prevenção não dispensa meios de resposta rápida e eficaz. É preciso mais equipas de sapadores e bombeiros, mais meios aéreos, mais vigilância e maior capacidade de mobilização. Não podemos continuar a contar que a chuva ou o vento resolvam o que a estratégia não preveniu. Os bombeiros e as populações locais, que enfrentam as chamas com coragem e sacrifício, merecem mais do que aplausos: precisam de recursos, segurança e reconhecimento.

Proteger o território é proteger vidas, mas também a nossa economia e imagem no mundo. Sem paisagens preservadas e comunidades vivas, não há turismo sustentável. E sem turismo, muitos territórios do interior perdem a última âncora que os mantém habitados. E as perguntas são simples: Quem é que vai passar férias em territórios todos queimados e quanto tempo teremos de esperar até que a natureza volte a crescer no seu esplendor?

O futuro exige escolhas. Ou investimos no planeamento, gestão ativa da floresta e reforço de meios, ou continuaremos a viver este drama todos os anos. Prevenir custa menos do que reconstruir.

Precisamos que quando o mundo olha para Portugal, veja um destino turístico seguro, autêntico e resiliente, e não um país repetidamente em chamas. 

Texto escrito segundo as regras do Novo Acordo Ortográfico de 1990 

Tópicos: economiaflorestaflorestalIncêndiosJoão Caldeira Heitorjornal de leiriaLeiriaopiniãoordenamentoOurémpopulaçãoprevençãoturismo
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