PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assine desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Home Opinião

Que farás tu, meu Deus, quando eu morrer?

A vida, a morte e o sofrimento, no bloco operatório ou fora dele, tinham exactamente o mesmo peso e a decisão, por incapacidade, não podia ser tomada pelo próprio.

Helena Rafael, assessora de imprensa Helena Rafael, assessora de imprensa
3 de Janeiro de 2019
em Opinião
Share on FacebookShare on Twitter
Helena Rafael, assessora de imprensa
Helena Rafael, assessora de imprensa3 de Janeiro de 2019

Que farás tu, meu Deus, se eu morrer?
Sou o teu cântaro (quando me quebrar?)
Sou tua bebida (quando me estragar?)
Sou o teu manto e o teu operar
comigo tu o teu sentido vais perder.

Depois de mim não tens casa que restou
Com palavras próximas e calorosas para te saudar.
Cai dos teus pés cansados, sem se levantar,
a sandália de veludo que eu sou.

O teu grande manto de ti se vai desprender
O que eu em minha face, o teu olhar.
como almofada, com calor, costumo acariciar,
virá, buscar-me-á, sem desfalecer…
E ao pôr do sol irá procurar
descanso em pedras estranhas.
Que farás tu, meu Deus? Tremem-me as entranhas.
Rainer Maria Rilke, O Livro das Horas

Conheci-o por acaso em 2013. À chegada à cidade em estado de emergência com a opção «morre ou morre» na mão, a ocorrência levou-me até à bata branca com que me recebeu. Desconfio por defeito de médicos e de deus, que me perdoem os que não conheço, mas já fui traída pelo acaso que afinal nos colhe a todos. Não me ofereceu certezas e sublinhou a hipótese que já trazia. As opções eram essas.

A vida, a morte e o sofrimento, no bloco operatório ou fora dele, tinham exactamente o mesmo peso e a decisão, por incapacidade, não podia ser tomada pelo próprio.

A clarividência tende a turva-rse a quando a ciência não responde e as decisões tomam-se alicerçadas na incerteza da esperança e no meio de uma encruzilhada onde se misturam a dúvida, o amor, o medo, o desespero e a culpa.

Da sua voz saiu apenas a certeza da habilidade no seu ofício e da compaixão que deve estar presente quando se abre um corpo doente. O caminho do bloco operatório pareceu-nos, juntos, o menos turvo.

Testemunhámos, desconfortáveis, a [LER_MAIS]  leitura do texto do Termo de Consentimento Informado que exigia uma assinatura por procuração – «Recebi todas as informações necessárias quanto aos riscos, benefícios e alternativas do procedimento proposto. Tive a oportunidade de fazer perguntas, e todas foram respondidas satisfatoriamente. Compreendo que durante o procedimento poderão apresentar-se outras situações ainda não diagnosticadas, assim como poderão ocorrer situações imprevisíveis.»

A cirurgia, radical, demorou. A meio do percurso chamou. Anunciou-nos que o coração chegou a falhar mas que os tentáculos do tumor eram curtos e que conseguira aparentemente retirá-los.

À falta de palavras e actos para lhe agradecer a verdade com que me foi narrando o processo, levei-lhe um livro – A MÃO QUE NOS OPERA do cirurgião Atul Gawande – um relato brilhante sobre a ética no exercício da Medicina.

Agradeceu-me dizendo-me que andava na altura ocupado a ler o Ética de Bento de Espinosa e naquele lapso de tempo em que o aparato de máquinas da ciência nos alivia o medo de que o coração volte a falhar trocámos algumas referências de livros.

O sentimento de gratidão com que se fica por quem nos adia as perdas passa a acompanhar-nos até ao fim dos dias como todos os outros acontecimentos indeléveis da biografia.

Visitamo-nos uma vez por ano para a consulta de rotina que confirma que a opção pelo caminho inicialmente turvo do bloco operatório foi a que trouxe menos danos.

Trocamos sempre uma outra referência de livros sob o olhar quase ausente do paciente que me conduziu ao consultório onde me recebeu de bata branca e trocamos sempre por altura das festas um poema.

Este ano enviou-me o que abre este texto. Bom Ano.

*Assessora de imprensa

Tópicos: Helena Rafaelopinião
PartilharTweet

Mais informação

Opinião

A (ir)relevância de lamber um ecrã

27 de Outubro de 2026
Paulo José Costa, psicólogo clínico
Opinião

Stress a stress, enche o copo

27 de Outubro de 2026
Cláudia Camponez, psicóloga educacional
Opinião

Data centers e a fome por recursos

26 de Outubro de 2026
Ana Pires, Doutorada em Eng.ª do Ambiente
Próxima publicação
Resoluções de ano novo incrementam negócios diversos

Resoluções de ano novo incrementam negócios diversos

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

Gonçalo Lopes escreve livro sobre a experiência com a tempestade Kristin

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

MAIS VISTOS

Livro relata a experiência do autarca com a crise Kristin

Gonçalo Lopes escreve livro sobre a experiência com a tempestade Kristin

28 de Outubro de 2026
Factos foram julgados no Tribunal de Leiria

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

28 de Outubro de 2026
A categoria de longas teve espaço em Pombal pela primeira vez e premiou Óculos de Sol Pretos

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

28 de Outubro de 2026
Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

28 de Outubro de 2026
Um espectáculo interactivo e temático sobe ao castrelo de Leiria no sábado

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

28 de Outubro de 2026
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assine desde 0,39€ por semana
  • Subscreva as newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Estatuto editorial
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • 50 anos do Poder Local
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • Palavra de honra
  • Crítica
  • Opinião
  • Fotogalerias
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?