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Região já só tem duas árvores na lista de exemplares “monumentais”

No País, há cerca de 40 exemplares com essa distinção atribuída pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

Maria Anabela Silva Maria Anabela Silva
29 de Março de 2020
em Sociedade
Região já só tem duas árvores na lista de exemplares “monumentais”
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Distinguem-se pelo porte, desenho, idade, raridade, interesse histórico ou paisagístico e, por isso, são consideradas árvores “monumentais”. No País há 38 exemplares com essa denominação atribuída pelo Instituto de Conservação da Natureza (ICNF), duas quais crescem na região. Havia outras duas, que foram derrubadas pelo temporal de Janeiro de 2013.

A propósito do Dia Mundial da Árvore, que se assinalou no sábado, damos a conhecer esses exemplares, que apresentam um valor patrimonial elevado e que, em certas situações, têm ligação directa ou indirecta com a nossa história.

É o caso da azinheira do Santuário de Fátima, existente junto à Capelinha e que está associada às “aparições”, localizando-se a metros do local onde os pastorinhos disseram ter visto a imagem de Nossa Senhora. Classificado desde 2007 como de “interesse público”, este exemplar figura na lista de árvores monumentais do ICNF que se destacam por serem “testemunhos directos de lendas, mitos e de factos históricos relevantes e curiosidades”.

Com mais de 100 anos, a azinheira do Santuário de Fátima tem cerca de 13,5 metros de altura e uma copa com 19,3 metros de diâmetro. Na sua “ficha de inscrição” como árvore de interesse público, é apresentada como um exemplar com um “grande simbolismo e devoção”. “Tradicionalmente associada às aparições de Nossa Senhora de Fátima”, esta azinheira “não se considera árvore sagrada”, uma vez que não foi, “em si mesma, lugar de aparições”, embora tenha “o valor de testemunha das aparições de 1917”, refere a informação do ICNF.

Na Mata Nacional de Leiria (MNL), mais propriamente no talhão 231, encontra-se outra das árvores “monumentais” existentes na região, destacando-se “pelo desenho (simetria) e pela sua forma bizarra”. Trata- se de um “pinheiro rastejante do litoral”, cujo nome científico é Pinus pinaster Aiton, que se desenvolve há mais de 100 anos.

Segundo a informação disponibilizada no site do ICNF, aquele pinheiro “apresenta várias pernadas que se estendem pelo solo, ocupando uma área de cerca de 260 metros quadrados. “O fuste faz lembrar uma serpente, cuja forma caprichosa se deve à acção do vento”, realça aquele organismo.

Temporal derrubou azinheira e pinheiro

O Pinhal de Leiria albergava, até há sete anos, uma outra árvore considerava monumental. Tratava-se de um pinheiro-bravo, que cresceu, ao longo de mais de 200 anos, no talhão 273, junto à antiga Casa de Guarda do Rio Tinto, na Marinha Grande. As raízes que foi cravando revelaram-se insuficientes para enfrentar o temporal de 19 de Janeiro 2013, que atingiu o País e que derrubou centenas de árvores na MNL.

Caía, assim, por terra aquele que era considerado um dos maiores exemplares de pinheiro-bravo da Península Ibérica. De acordo com a descrição feita no decreto-Lei que, em 2007, o classificou como árvore de interesse público, tinha aproximadamente 40 metros de altura e um diâmetro com 1,30 metros.

Aquele temporal derrubou também uma azinheira com mais de 400 anos, localizada numa propriedade privada em Matas, na freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias, concelho de Ourem. Era, de acordo com o ICNF, considerada a azinheira “com maior projecção de copa na Península Ibérica” e integrava a lista de árvores monumentais do País, todas elas classificadas como de interesse público, uma distinção atribuída a cerca de 40 árvores na região.

Pedro Santos, presidente do Núcleo Regional do Ribatejo e Estremadura da Quercus, sublinha a importância deste tipo de classificação, que procura “proteger verdadeiros monumento vivos” e “sensibilizar a população e a comunidade em geral para a especificidades das espécies classificadas e para a sua importância nos sistemas ecológicos onde se encontram inseridas”.

Tópicos: arvores monumentaisazinheira santuario de fatimaclassificação INCF
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