O designer de som e ecologista acústico Carlos Alberto Augusto trabalhou com o Ministério do Ambiente no controlo da poluição sonora e é um coleccionador de casos relacionados com as consequências do ruído. Dois deles, conhece-os de memória: perto de Lisboa, o conflito provocou um homicídio; em Castelo Branco, um polícia reformado, e desesperado, quase chegou ao confronto físico com o dono de uma discoteca.
Sem a mesma gravidade, três acontecimentos, todos recentes, parecem ter esgotado a paciência de alguns moradores do centro de Leiria, que sofrem o impacto da cada vez mais intensa proliferação de eventos ao ar livre, e, à boleia deles, do ruído. A meia-maratona com animação sonora às sete e meia da manhã de um domingo, a prova de resistência urbana também com animação sonora depois da meia-noite de um sábado, e a corrida Fun Run que espalhou tintas e espuma com cinco mil participantes mostram que os efeitos são contraditórios – para uns, lazer e diversão, para outros, transtorno e ruas cortadas.
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