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Sossego

Paulo Sellmayer, designer Paulo Sellmayer, designer
26 de Abril de 2022
em Opinião
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Paulo Sellmayer, designer
Paulo Sellmayer, designer26 de Abril de 2022

Quebrou-se o sossego.

Este texto é sobre a invasão russa da Ucrânia.

Tinha havido manifestações que diziam que ia haver barulho mas, por serem distantes ou papagueantes, foram ignoradas.

Ainda assim, estranhamos a razão da guerra.

Porque haveria de um país invadir o outro, espalhando a morte e a destruição?

Mas esse exercício de existencialismo europeu, onde as causas e as consequências de tais actos importam compreender, durou pouco.

Ninguém nos ensinou porque os povos partem para a guerra, porque o conflito destrutivo está na génese das nações, porque a morte é o argumento final de uma disputa.

Aceitamos a herança bélica que definiu as fronteiras dos países que habitamos e cremos que estas se mantêm para o resto das nossas vidas.

Este era o sossego europeu. Uma vez quebrado o silêncio é necessário alimentar o espaço de informação com assunto, para que este não morra.

Atentos à tecnocracia bélica, à dinâmica comentarista e às querelas de veracidade, que de parte a parte vão tornando visível a guerra aos nossos olhos de espectadores, a missão tornou-se manter o assunto para quem só de longe consegue cheirar o fumo.

É o papel de muitos, o de assistir. Outros, corajosos, procuram ajudar na Ucrânia e nos países próximos.

Valha-nos a solidariedade dos povos e a entreajuda aos necessitados.

Apesar destas circunstâncias extraordinárias, somos rápidos a normalizar.

A adaptação é uma condição humana, absorver uma nova rotina, um novo paradigma, e continuar a viver.

Como se o contínuo fluxo da história fosse inalterável.

Mas, as bombas distantes ainda ressoam aqui, ainda me perturbam os dias, ainda me turvam o sono.

A vocês não?

 

Tópicos: opiniãoPaulo Sellmayer
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