Com um volume de negócios próximo dos 74 milhões de euros e cerca de 170 empresas incubadas, o ecossistema de inovação da Startup Leiria já há muito que ultrapassou os limites da cidade e do concelho, para se afirmar como um motor de desenvolvimento regional com projecção internacional.
As empresas incubadas nesta estrutura geraram mais de 1.100 postos de trabalho e atraem talento de países como a Ucrânia e Rússia, entre outros.
Classificada como o terceiro maior ecossistema de inovação nacional pelo ranking Global Startup Ecosystem Index da StartupBlink, apenas atrás de Lisboa e Porto, esta organização da cidade do Lis é também a 68.ª melhor incubadora da Europa.
Cerca de 30% do ecossistema é composto por empresas estrangeiras.
O Brasil, por exemplo, é uma fonte constante de empresas empreendedoras, através de parcerias com parques tecnológicos como o Tecnopuc, gerido pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, que funciona como um “pipeline” de empresas brasileiras para a Startup Leiria, onde se podem internacionalizar nos mercados português e europeu.
O director-geral da Startup Leiria exemplifica com a FCamara, multinacional de tecnologia e consultoria, com quatro mil colaboradores, focada em transformação digital, e-commerce, marketplace, inteligência artificial e cibersegurança, que escolheu a avenida Cidade de Maringá, em Leiria, para instalar a sua sede europeia e o seu hub operacional na Europa.
“O nosso ecossistema não são os espaços, mas a ligação entre iniciativas e pessoas”, afirma Vítor Ferreira, que admite mesmo que a diversidade das empresas incubadas desafia as expectativas.
É o caso da foodtech luso-brasileira X Foods, que se dedica à produção de alternativas à carne à base de plantas. “O produto é saudável e próprio para celíacos”, com parcerias de distribuição já estabelecidas, conta o responsável.
Ou, no campo criativo e social, da Induca, que desenvolve software para pessoas neurodivergentes, ou seja, com autismo ou trissomia 21, ou ainda uma parceria com a Flamingo, que organiza o Festival A Porta, e o Casota Collective, que está a preparar um programa de aceleração para profissionalizar jovens talentos que desejem criar indústrias criativas.
A organização está também a apoiar iniciativas de impacto social e comunitário, impulsionando algumas através da sua Social Spin-off Academy.
Espaço precisa-se
A nível local, a Startup Leiria está em expansão.
Está presente em Alcanena com uma Academia for Talent vocacionada para apoiar quem ainda não tem uma ideia de negócio definida, e, em Alcobaça, dinamiza o espaço de negócios junto à antiga cooperativa.
Estão ainda em curso protocolos com Porto de Mós e uma parceria em Coimbra, onde a Startup Leiria foi contratada para reactivar o Inopol, do politécnico local.
Um dos maiores desafios é a falta de espaço.
Há uma negociação em curso com a autarquia para ocupar uma parte desocupada do mercado municipal de Leiria, mas tudo dependente da concretização ou não da instalação de “um operador internacional” na região.
Enquanto a questão não se resolve, o trabalho avança. Em Maio, será lançado um programa dedicado à recuperação regional após a destruição causada pela tempestade Kristin, cruzando a tecnologia das startups nas áreas da energia, robótica e telecomunicações com as necessidades locais.
“Vamos conversar sobre como as startups podem suportar a reconstrução e a modernização da região”, conta Vítor Ferreira.
Está também a ser ultimada a segunda Defense Academy, numa edição mais robusta e sólida do que a primeira, e cujo lançamento está previsto para a segunda parte do ano.
Desta vez, haverá um foco maior na execução, incluindo financiamento para projectos-piloto, e nas mentorias.
“Crescer não nos assusta”, resume Vítor Ferreira, num tom que soa mais a diagnóstico do que a sonho.
Os nossos candidatos a unicórnio
Falar de startups é também abordar os unicórnios.
E na corrida para a criação de empresas cujo valor de mercado chega aos mil milhões de dólares (930 a 950 milhões de euros), Leiria tem alguns candidatos na sua “fábrica de unicórnios”.
É o caso da Mantis, que se encontra numa ronda de capital Série B e cuja avaliação está entre os 200 e os 300 milhões de euros.
O seu core business consiste em “datificar as imagens de televisão”, permitindo que canais como a SIC ou a TVI monetizem em tempo real dados sobre a exposição de marcas.
Outra candidata é a Sound Particles, que cria soluções de áudio para cinema e som 3D e está a expandir agora a sua tecnologia para a fileira da Defesa.
Na lista aparece também a Bhout, startup que desenvolveu o primeiro saco de boxe inteligente do mundo com tecnologia de sensores e de gamificação.










