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Home Desporto

Telma Santos: “Ninguém acredita que só treino uma hora e meia, uma vez por dia”

Pensou deixar a alta competição após Londres'2012, mas a atleta de Peniche acabou por lutar e garantir uma vaga nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que terão lugar em Agosto próximo.o Rio de Janeiro.

Miguel Sampaio Miguel Sampaio
13 de Maio de 2016
em Desporto
Telma Santos: “Ninguém acredita que só treino uma hora e meia, uma vez por dia”
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As contas estão fechadas e a Telma garantiu, pela segunda vez, um lugar nos Jogos Olímpicos. Feliz?

Claro. Em Londres, em 2012, tive a sensação de atingir o auge da minha carreira. Desta vez nem sequer ia tentar, mas foi a força da minha família, do meu treinador e dos meus amigos que me levaram a lutar, para me superar e provar que conseguia.

Foi um percurso difícil?

Ano e meio antes de começar a qualificação fui duas vezes operada ao joelho direito, o que pôs tudo em causa. Houve quem dissesse que a Telma estava acabada e não iria voltar a conseguir jogar badminton de alto nível. Foi algo que me motivou de tal forma que quando voltei a jogar comecei logo por ganhar um torneio de qualificação. Pensar que já não era possível deu-me força para lutar.

E superou o seu tio, Fernando Silva, o primeiro português a levar o badminton aos Jogos Olímpicos, em 1992.

Quando era pequenita jogava futebol, basquetebol, voleibol, tudo. Sou de uma família em que a minha mãe é a única mulher em seis irmãos. Era uma espécie de maria rapaz no meio deles, porque metiam-me a fazer tudo o que era o oposto ao que uma menina habitualmente fazia. Gostava muito jogar futebol e basquetebol, mas o meu tio ofereceu-me uma raquete. No primeiro treino que fiz não falhei o volante. Acertei tantas vezes que achei engraçado. Continuava a jogar futebol e basquetebol, só que passado um mês de estar a brincar com o volante disputei um torneio e… ganhei. Passei a levar o badminton mais a sério. Passado um ano, o meu tio foi aos Jogos Olímpicos de Barcelona. Disse-lhe que um dia ia fazer o mesmo que ele. E ele riu-se…

A qualificação correu como esperava?

Sabia que ia ser mais difícil do que em 2012. E foi, de facto. Ao ser mais difícil, fez com que trabalhasse mais e conseguisse conciliar trabalho com treino. Só para ter noção, treino às sete e meia da manhã e saio do trabalho às dez da noite. E no dia seguinte, às sete e meia da manhã lá estou a treinar outra vez.

Com vontade?

Com muita vontade, porque se assim não fosse não dava. Não consigo treinar por obrigação. Tenho de estar com o espírito de que estou ali para atingir determinado objectivo. Já passei por fases em que pensei que não dava, estava muito cansada e os apoios também não eram os que estava à espera. É algo que faz pensar se vale a pena tentar. Só que quando alguma coisa é uma barreira, eu faço disso motivação. É difícil? Não há apoios? Vou lutar à mesma. Gosto de remar contra a maré.

Que obstáculos são esses?

A minha vida profissional é ligada ao fitness. Ou seja, passo a maior parte do tempo em pé, a dar treinos e a exemplificar exercícios, o que é desgastante. Ainda tenho de treinar e fazer ginásio. Ou seja, chego à noite, caio à cama e acabou, sabendo que tenho de dormir seis horas e acordar motivada, porque se chegar a dormir o treino não rende.

São condições diferentes das que as suas rivais têm?

Ninguém acredita que só treino uma hora e meia, uma vez por dia. Toda a gente diz que estou gozar, porque elas treinam duas vezes por dia, mais a parte física, e o badminton é a vida delas. Tenho montes de colegas que não se qualificaram e fazem quatro treinos diários, a viajar pelo mundo fora, com alimentação correcta e descanso correcto. Por isso, neste momento, sinto-me uma supermulher. Tenho uma vida muito agitada, toda a gente diz que estou muito magra, mas não é porque não coma, é porque não descanso. E conseguir uma qualificação olímpica com o estilo de vida que tenho…

As dificuldades acabam por ser um contra-senso com as excelentes condições de treino que tem no Centro de Alto Rendimento de Badminton, nas Caldas da Rainha.

É um palácio, mas as minhas adversárias têm pessoas com quem treinar, enquanto eu tenho o meu treinador e às vezes vou a Peniche jogar com o meu tio. O problema é que não tenho uma mulher para treinar e o jogo de homem é muito diferente. Torna-me torna mais rápida, mas também mudo o meu jogo, o que não é adequado para quando jogo com uma mulher. Tenho de me adaptar e isso permite-me ser muito rápida no campo. Por vezes, ganho jogos não pela minha capacidade técnica – porque eu nem tenho um remate muito forte – mas por conseguir manter o jogo a uma velocidade constante, que desgasta quem está do outro lado. Acaba por ser uma arma minha.

Faltaram apoios?

Foram muito menores do que em 2012, a todos os níveis e com grandes diferenças. Para poder estar nos Jogos Olímpicos o meu treinador teve de pagar as passagens aéreas com cartão de crédito, de forma a que eu, quando recebesse algum tipo de apoio, pudesse repor. Estou a falar de valores acima de sete mil euros.

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Tópicos: badmintonjogosolimpicostelmasantos
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