Há dez anos que estuda, com a sua equipa, o Abrigo da Buraca da Moira, no vale dos Murtórios, na Boa Vista, em Leiria. Em traços gerais, em que consiste o EcoPLis?
Temos duas vertentes. Uma científica, para fazer o desenvolvimento da ciência, do conhecimento e outra pedagógica, para formar estudantes, para que depois possam também desenvolver outros estudos. A finalidade científica prende-se com as características da região. Está muito na voga falar-se das alterações climáticas, mas elas não são uma novidade. São um pulsar da forma como o planeta funciona e que tem a ver, por exemplo, com a distância do planeta ao Sol, que não é sempre a mesma. Sabemos que, entre 27 mil e 19 mil anos atrás, houve uma grande crise climática, quando o planeta esteve mais frio. A leitura do planeta mostra-nos que, nos períodos quentes, as calotas polares são menores e, portanto, há mais água em circulação e mais vida. Quando está mais frio, há menos água disponível, porque está congelada, e há menos biodiversidade. No período que estamos a estudar, através de escavações em Leiria, na Buraca da Moira, vemos populações caçadoras-recolectoras, com menos meios para mitigar o frio e menos recursos. Esse tempo, ao qual chamamos o último “máximo glaciar”, é um período de muito frio. Era possível ir à Berlenga a pé, pois o nível do mar estava cerca de 130 metros mais baixo do que agora, devido à água retida nos pólos e nas montanhas. Mas havia locais onde, apesar das dificuldades, havia condições boas, ou pelo menos melhores, para viver.
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