Dois concertos para ver amanhã, 21 de Abril, depois das 22 horas.
De Chicago, com mais de 300 mil ouvintes por mês no Spotify, chegam os Glyders, que lançaram o álbum Forever em Novembro, depois de conseguirem visibilidade com o LP de estreia, intitulado Maria’s Hunt.
A banda norte-americana balança entre os géneros rock e pop e está a meio de uma digressão europeia que ainda segue até França, Reino Unido, Países Baixos, Bélgica, Alemanha e República Checa. Hoje toca no Porto e depois de amanhã actua em Bragança.
Também esta terça-feira, o Texas Club, em Barreiros, concelho de Leiria, recebe o músico e compositor Rodrigo Cavalheiro, que há anos tem lugar próprio no eixo artístico Leiria-Marinha Grande e desta vez apresenta EU!, o seu mais recente projecto a solo. A estreia ao vivo acontece antes dos norte-americanos Glyders.
Longe de se deixar prender por formatos convencionais, o projecto abre deliberadamente as portas ao experimentalismo, construindo uma paisagem sonora onde a repetição actua como catalisador e o peso das frequências se transforma em combustível criativo. O próprio artista (Born a Lion, Bluesnoise Soundmachine) classifica a obra como drone, um território onde o tempo se dilata.
Embora se apresente como um projecto a solo, EU! é o resultado de uma exploração meticulosa entre estudo e prática. Actualmente a aprofundar a sua formação musical, Cavalheiro não abdica da maquinaria: sintetizadores, pedais de efeito, gravadores e processos de manipulação sonora são tratados como extensões do corpo e da intenção artística. Cada camada, cada loop e cada textura é pensada para gerar um ambiente em constante mutação, típico da tradição drone, mas com uma assinatura contemporânea e profundamente pessoal.
Mais do que um título, EU! funciona como um grito de existência sonora. Num panorama cultural dominado pela fragmentação e pela velocidade, Cavalheiro opõe a lentidão deliberada do drone à urgência do efémero. O EU! não parece ser uma declaração de ego, mas um acto de presença: um grito que ecoa nas camadas de repetição e se sustenta no peso das frequências. É uma chamada à escuta atenta de uma identidade em construção.










