Perde-se de amores por uma morcela de arroz, mas tornou-se vegetariano? Agora pode continuar a degustar a tradicional iguaria graças a três alunas da Escola Profissional de Leiria (EPL), que conceberam uma morcela de arroz vegetariana.
O projecto desenvolvido por Maria Eduarda Monteiro, Mariana Barreto, ambas de 16 anos, e Neuza Sousa, de 17 anos, alunas do 1º ano do curso de Cozinha/ Pastelaria, venceu o Concurso de Ideias Empreendedorismo nas escolas, promovido pela Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria.
“O chícharo e a morcela de arroz são produtos da nossa região. Queríamos preparar algo daqui e que fosse saudável e pudesse ser consumido também por pessoas que não comem carne”, conta Neuza Sousa.
Pão, brócolos, couve flor, azeite, soja, arroz integral e temperos q.b. são os ingredientes do produto vencedor, que vai ser posto à prova na final regional, que se realiza hoje na Covilhã. “Quando decidimos o produto fomos para a cozinha experimentar vários ingredientes e temperos para perceber o que ficava melhor”, adianta Maria Eduarda Monteiro.
Depois de várias horas na cozinha e de muita rectificação, as jovens chegaram ao produto final. “Demos a provar aos professores, analisámos a tripa sintética para perceber qual melhor se adequava mas nunca esperávamos vencer”, diz Mariana Barreto.
Por isso, quando perceberam que o primeiro lugar era seu, as lágrimas de felicidade correram-lhes pela face. “Disseram-nos que o produto foi uma boa ideia de inovação, o sabor era agradável e que apesar de não sermos vegetarianas pensámos nos outros”, revelam.
O próximo passo é levar o produto ao público. A escola está a registar a patente e já realizaram uma parceria com o talho Helder, de Leiria. “Queremos estender a parceria a outros talhos e supermercados da região.”
O chef Alberto Vaz, da EPL, considera que esta distinção é “uma mais valia para a escola” e destaca o facto de ter sido conseguido por alunas do 1.º ano, que “ainda não têm muitos conhecimentos técnicos”.
O projecto Morcela de Arroz Vegetariana teve a orientação das professoras Teresa Luz e Lucilina Rodrigues, e foi distinguido com um cheque prémio no valor de 700 euros.
Verificação à distância de um smartphone
Uma caixa de diagnóstico destinada à verificação das luzes e ABS de semi-reboques sem a presença de funcionários no local foi o segundo classificado do concurso. A ideia foi apresentada pelos alunos André Luís, 22 anos, Filipe Dias, 20 anos, e Ivo Ferreira, 19 anos, do 3.º ano de Mecatrónica da ETAP – Escola Tecnológica, Artística e Profissional de Pombal, e contou com a colaboração da professora Célia Pereira.
“O diagnóstico tem que ser feito com regularidade e requer duas pessoas (uma dentro do tractor do camião e outra junto do semi-reboque) e ainda implica a presença e disponibilidade de um camião. A caixa de diagnóstico substituirá os comandos presentes na cabine do camião, dispensando assim a presença do mesmo. O diagnóstico passa a ser realizado por um funcionário, que necessitará apenas de um telemóvel ou tablet”, explicam os alunos.
[LER_MAIS] Segundo afirmam, o SDS – Sistema Diagnóstico de luzes semi-reboque apresenta “um grande potencial, uma vez que em termos de mercado existe uma necessidade clara deste produto”, já que “liberta mão de obra e recursos físicos, o que se traduz numa mais-valia financeira” para as empresas.
A ideia surgiu durante a realização da Formação em Contexto de Trabalho do aluno Ivo Ferreira numa oficina. O estudante verificou que sempre que se fazia o diagnóstico dos semi-reboques era necessário ter um camião disponível e ter um colega para o ajudar, implicando custos acrescidos para a empresa.
“Este é um projecto que consideramos ter um enorme potencial de negócio. Neste momento, estamos a trabalhar no sentido de auxiliar os alunos a obterem parcerias e formas de desenvolverem esse negócio, nomeadamente na participação no recente Salão Nacional dos Transportes em Pombal”, refere fonte da ETAP em resposta ao JORNAL DE LEIRIA.
SeeMe em qualquer ponto da região
A plataforma online SeeMe obteve o terceiro lugar da final intermunicipal. Destinada essencialmente aos turistas, a apppermite detectar em tempo real a localização do utilizador e de o informar sobre o que existe em seu redor, para melhor organizar o tempo em função do que se pretende visitar, bem como a localização de serviços úteis”.
Desenvolvido pelos alunos Bruno Adão, 21 anos, do curso de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos, e Angy Mota e Mariana Silva, ambas de 16 anos, de Turismo, da Escola Secundária da Batalha, o projecto está acessível em português, inglês e espanhol, estando em desenvolvimento o francês.
“Trata-se de uma app de criação de rotas turísticas completamente diferente daquilo que existe no mercado, especialmente na região de Leiria. A grande diferença é que nos cria a rota mediante o tempo que temos e a aproximação dos locais onde nos encontramos e por ordem de prioridade de visita, decidindo se vamos a pé ou de carro de acordo com a distância a que nos encontramos. Não existem rotas pré-definidas”, destaca Bruno Correia, coordenador do projecto.
O SeeMe localiza ainda serviços úteis como farmácias, casas-de-banho, multibanco, praça de táxis, parque de estacionamento ou posto de turismo. Com um backoffice de fácil utilização e com rápida inserção de dados novos, a plataforma – disponível para smartphone android – pode ser utilizada por instituições públicas ou agências de viagens para que os próprios possam fazer a “manutenção dos seus locais”.
Para criar o SeeMe foram necessárias 400 horas de programação e 200 horas de inserção de dados. “Foi um desafio. Tivemos a preocupação de ser o mais user friendly possível e proporcionar ao utilizador a melhor experiência, sem complicações, nem muitos cliques. É rápido e fácil”, adianta Bruno Adão.
Nesta 4ª edição da Final Intermunicipal concorreram sete ideias de negócio, vencedoras dos concursos realizados nos respectivos municípios. Além dos vencedores, participaram ainda os projectos Dish Cooler, das alunas Carina Marques e Cátia Rodrigues, da EPAMG – Escola Profissional e Artística da Marinha Grande, que consiste numa travessa fotovoltaica portátil, que permite a refrigeração dos alimentos pelo aproveitamento da luz solar, e a aplicação turística Visit Mós, de Alexandre Jorge e Luísa Montez, da Secundária de Porto de Mós, que reúne diversa informação útil aos visitantes.
O Peregrinus Hidromel Artesanal, de Mariana Antunes e Tatiana Fortunato, da Escola Tecnológica e Profissional de Sicó – Pólo de Alvaiázere, consiste na produção de hidromel artesanal juntando mel e pólen silvestres das Terras de Sicó, água natural de nascente da fonte fria do Agroal , para criar uma bebida energética para a reposição da energia dos peregrinos de Fátima e de Santiago de Compostela.
Jorge Rodrigues, Diogo Correia e André Garcia, da ETP Sicó de Ansião, concorreram com TriSicó, um veículo eléctrico adaptado a guia/orientação para actividades, passeios em exposições e parques temáticos, especialmente para pessoas com mobilidade reduzida. Este veículo parará em locais marcados com um dispositivo de leitura, onde se ouvirá um ficheiro áudio com as informações alusivas ao local.
Leiria defende projecto na Covilhã
As alunas da Escola Profissional de Leiria vão defender a Morcela de Arroz Vegetariana hoje, dia 7 de Junho, pelas 14:30 horas, na 5.ª edição do Concurso Regional de Ideias de Negócio nas Escolas, que decorre na Universidade da Beira Interior (Faculdade de Engenharia), na Covilhã.
Organizado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) este concurso pretende eleger o Aluno Empreendedor da Região Centro 2018 entre os representantes das Comunidades Intermunicipais da região e tem como objectivo sensibilizar e motivar os jovens para a inovação e o empreendedorismo, promovendo a iniciativa e o dinamismo nas comunidades onde se inserem.
A avaliação de cada ideia de negócio apresentada terá em consideração o grau de inovação, a exequibilidade, o impacte para o território e a sua estruturação e desenvolvimento.










