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Home Economia

TWEvo, startup de Leiria, cria sistema inteligente de produção para a Gallo Vidro

As exigências da Indústria 4.0 levam muitos empresários a fazer contas a novos equipamentos. Mas uma startup de Leiria pode ter a solução para poupar, melhorar a produção e aumentar o conforto dos operários

Jacinto Silva Duro Jacinto Silva Duro
29 de Junho de 2023
em Economia
Sistema utiliza inteligência artificial para monitorizar processo de produção de vidro automático
Sistema utiliza inteligência artificial para monitorizar processo de produção de vidro automático
Sistema utiliza inteligência artificial para monitorizar processo de produção de vidro automático
Sistema utiliza inteligência artificial para monitorizar processo de produção de vidro automático
Sistema utiliza inteligência artificial para monitorizar processo de produção de vidro automático
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A Gallo Vidro, empresa de fabrico de vidro automático da Marinha Grande que integra o Grupo Vidrala, está a utilizar um sistema inteligente de supervisão de processos industriais de produção, no seu forno 5, o mais antigo em operação.

A solução, denominada Viexpand, conta com aplicação de Inteligência Artificial (IA) e foi pensada para ser aplicada em espaços industriais e chão de fábrica que não têm ainda equipamentos de Indústria 4.0 ou 5.0.

O projecto, da responsabilidade da TWEvo (Tactile Wireless Evolution) Lda, uma startup de Leiria, em parceria com o Instituto de Telecomunicações/Instituto Politécnico de Leiria, consistiu no desenvolvimento e construção em hardware de um sistema de processamento e transmissão vídeo omnidirecional para a supervisão do fabrico de garrafas à distância.

O sistema pode detectar erros na produção e evitar congestionamentos e bloqueios na linha que transporta o vidro a temperaturas de cerca de 450ºC.

Carlos Ribeiro, CEO da TWEvo, explica que o sistema permite igualmente aumentar o conforto dos trabalhadores que operam junto à saída do forno, ao permitir que estejam menos tempo na chamada “zona quente”, onde a temperatura média é de 50ºC, o ambiente está carregado de óleo e onde o ruído pode causar danos permanentes, se não se usarem protecções.

“De um ponto de vista da sustentabilidade, a diminuição do desperdício de produto e redução da utilização de energia são outras vantagens”, avança o responsável.

Quatro câmaras de vídeo de alta resolução e um sistema concebido pela TWEvo e por Lino Ferreira e a sua equipa do Instituto de Telecomunicações, verificam e medem, por reconhecimento de imagem à distância e em tempo real, a distância entre cada uma das garrafas.

Se estiverem demasiado próximas, por estarem ainda quentes e maleáveis, podem colar-se umas às outras ou, caso caiam no sem-fim, podem bloquear a produção, causando prejuízo e atrasos.

Um pequeno computador criado especificamente pela empresa de Leiria é a “caixinha de Pandora” do sistema, como carinhosamente foi apelidado pela equipa da Gallo Vidro, empresa parceira, que ajudou a instalar o [LER_MAIS]dispositivo.

Com tecnologia ARM consegue processar e gerir os vídeos das quatro câmaras. “É o mais diferenciador. Uma caixinha onde conseguimos aplicar um hardware que custa apenas umas centenas de euros e que faz o mesmo trabalho que um supercomputador da Intel cujo preço é de milhares de euros.”

Obviamente, o software da TWEvo é o segredo mais bem guardado.

770 mil euros é o valor total do projecto, co-financiado pela Agência Nacional de Inovação, através Centro 2020

Uma das grandes mais-valias da ferramenta criada pela startup é a criação, com baixo custo, de novos processos de aquisição e processamento de imagens e vídeo, em ambientes que não são de Indústria 4.0, implementando automatizações em sectores industriais em curto prazo.

Em simultâneo, aliado IA à transmissão e análise de vídeo, funcionalidade que é novidade na indústria.

No monitor, apenas a área à volta das garrafas, a mais importante para o processo, está a ser transmitida em alta definição. A precisão na medição do centro da garrafa é de dois milímetros.

A restante imagem é de baixa qualidade, mas esta característica aumenta a velocidade de transmissão e permite, por exemplo, ao director-técnico do Grupo Vidrala, Carlos Barranha, a partir da sede, em Espanha, acompanhar, no telemóvel, a conformidade do processo de produção, em tempo real.

A tecnologia da empresa de Leiria permite ainda explorar mais funcionalidades no processo de fabrico, como a produtividade, controlo de produção ou detecção de avarias, entre outras.

O Viexpand convenceu Carlos Barranha, que adianta que há boas possibilidades de aplicar a tecnologia em todas as linhas de produção nas oito fábricas de produção de vidro e duas de enchimento, do Grupo Vidrala, um dos maiores produtores mundiais de vidro de embalagem.

O projecto de Investigação e Desenvolvimento (I&D) conta com um valor total de cerca de 770 mil euros, co-financiado em 533 mil euros pela Agência Nacional de Inovação (ANI), através do programa Centro 2020.

O restante foi suportado pela TWEvo e pelo Instituto das Telecomunicações.

O Viexpand representa três anos de trabalho realizado por uma equipa de 11 pessoas.

Actualmente, a startup de Leiria e a Vidrala estão em processo de discussão comercial.

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