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Home Sociedade

Um quarto das árvores inventariadas pela Câmara de Leiria foram destruídas

Município classifica mais de duas mil árvores com "perda total"

Elisabete Cruz Elisabete Cruz
23 de Fevereiro de 2026
em Sociedade
Centenas de árvores foram derrubadas pelos ventos superiores a 140km/horas na cidade de Leiria

Centenas de árvores foram derrubadas pelos ventos superiores a 140km/horas na cidade de Leiria (Foto: Ricardo Graça)

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Mais de duas mil árvores foram totalmente destruídas pelos ventos ciclónicos da depressão Kristin, que atingiu Leiria na madrugada do dia 28 de Janeiro.

Na avaliação realizada até ao momento, das 7.936 árvores avaliadas no período anterior à depressão Kristin no concelho, 2.035 foram classificadas com “perda total”, disse o vereador Carlos Palheira.

De acordo com o relatório divulgado pelo autarca com o pelouro dos Espaços Verdes na reunião de executivo de hoje, 597 árvores necessitam de intervenção com poda, “com o objectivo de minimizar riscos adicionais e preservar exemplares recuperáveis” e 5.304 não sofreram danos ou registaram “danos ligeiros, correspondendo maioritariamente a árvores de menor porte”.

Desde Setembro de 2025 que a Câmara de Leiria tem vindo a realizar o inventário do arvoredo urbano, “com especial enfoque no levantamento exaustivo do estado fitossanitário e estrutural da arborização existente em ruas, jardins, parques, separadores centrais, estabelecimentos de ensino e taludes”.

Foram agora sinalizadas agora as espécies “tombadas e passíveis de recuperação através de poda”.

O vereador explicou que a maioria das árvores destruídas tinham entre 21 e 30 anos (585), seguindo-se o arvoredo com 11 e 20 anos (204 perdas) e as que tinham mais de 70 anos (156).

“Foram as árvores mais antigas e de maior porte, distribuídas pelos principais parques e jardins da cidade, que foram particularmente impactadas. Em vários espaços emblemáticos verificaram-se perdas profundas no património paisagístico e histórico”, apontou, exemplificando com o Jardim de Villa Portela, recentemente requalificado, onde “os ciprestes centenários sofreram danos quase totais”.

Neste espaço, do total de 340 árvores existentes, 161 “foram derrubadas ou terão de ser abatidas, das quais 90% são de grande porte com mais de 70 anos”.

“No Jardim Luís de Camões, várias das árvores mais vistosas tombaram ou partiram ao nível do fuste. Noventa por cento do total das árvores de grande porte caíram” e no conhecido Parque do Avião, “dois plátanos de grande dimensão tombaram sobre a aeronave que constitui símbolo identitário daquele espaço”.

Neste espaço público caíram 27 árvores num total de 110, sendo que a maioria tem mais de 50 anos.

O choupo, o cipreste e o pinheiro manso foram as espécies mais afectadas.

“Os dados evidenciam perdas significativas, sobretudo em exemplares de maior dimensão, estruturalmente mais expostos e vulneráveis a ventos extremos. A magnitude do fenómeno superou, em muitos casos, a capacidade de resistência mecânica natural das árvores, independentemente do seu estado de saúde”, referiu Carlos Palheira.

Para o autarca, “estas perdas representam não apenas a destruição de elementos vegetais, mas a transformação de cenários afectivos e marcos da memória colectiva da cidade”.

“A reconstrução do coberto arbóreo de Leiria exigirá tempo, conhecimento técnico, investimento e envolvimento comunitário. Com rigor científico, sensibilidade ambiental e determinação institucional, o Município continuará a trabalhar para restaurar e fortalecer este património vivo, essencial à qualidade de vida das gerações presentes e futuras”, concluiu.

Tópicos: árvorescâmara de Leiriaespaços verdesinventário arboreoKristinsociedade
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