Quando Manuel Jerónimo entrou naquele palco improvisado, no parque natural do Pisão (na Bajouca, Leiria), vestido de Santo Aleixo, arrancou da plateia os primeiros aplausos. “Olha, vês? Um homem desta idade a representar!” ouviu-se na fila de trás, num misto de admiração e surpresa. Era a primeira vez que a maioria dos figurantes participava num espectáculo e fazê-lo já depois dos 80 anos ganha ainda um significado especial. Foi preciso chegar ao dia 1 de Agosto de 2026 para tornar actores, músicos e bailarinos muitos dos que protagonizaram a peça Bajouca – o pulsar da terra, envolta num mote específico: “Arte que Une – Comunidade que Cria”. E o que fazer para unir todos em torno de um projecto comum? Puxar do bairrismo, usar uma lenda que todos conhecem e, com a ajuda de actores e músicos profissionais, construir um espectáculo de raiz.
Entre as árvores frondosas do parque do Pisão não há sol que abrase, mesmo quando é Agosto e são quatro da tarde. Um narrador vai explicando ao público o que vê: havia uma ermida que guardava Santo Aleixo entre as freguesias de Monte Redondo e Bajouca. Como ficava na rota dos monges de Alcobaça, no caminho para outros mosteiros da região, um dia – com medo que os mouros roubassem a imagem do santo, esconderam-na na toca de um sobreiro. E a mesma haveria de aparecer mais tarde, noutra pequena ermida onde hoje se ergue a igreja da Bajouca, que tem Santo Aleixo por padroeiro.
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