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Home Viver

Victor Maria estreia-se no romance com crime e saga no Douro Vinhateiro

Escritor da Marinha Grande, radicado em França

Jacinto Silva Duro Jacinto Silva Duro
24 de Janeiro de 2026
em Viver
Victor Maria

Victor Maria (Foto: Fotografia: Ricardo Graça)

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As paisagens majestosas e as relações de poder nos vinhedos e socalcos do Douro Vinhateiro servem de cenário ao mais recente livro do escritor da Marinha Grande Victor Maria.

Neste que é o seu primeiro exercício literário no universo do romance, após vários livros de investigação e autobiográficos sobre o Portugal do final da ditadura salazarista, o autor dá vida a Virgílio Lopes, um viticultor que dedica a vida à terra nos arredores de Mogo de Ansiães.

Ele e a sua família são os protagonistas do quotidiano neste território domado e esculpido, ao longo de centenas de anos, pela mão de gerações de homens.

Nas suas veias, corre um sangue rico e espesso como a terra a que dá forma todos os dias, empilhando pedra sobre pedra.

O Douro Vinhateiro e Virgílio são duas faces da mesma moeda, ligadas por uma relação telúrica inquebrantável.

O cenário de beleza dos socalcos e do ritmo das vindimas e das podas das cepas, arranca com uma falsa imutabilidade.

Sem que Virgílio saiba, Alípio Morais, um industrial da Marinha Grande e proprietário da terra onde a família Lopes vive, tem planos para oferecer aquele torrão onde vive com a mulher e as duas filhas.

Virgílio e os seus são tratados como servos medievais, agrilhoados pela sua pobreza à terra e ao bolso de Alípio Morais.

Para piorar a situação, o industrial, que está prestes a chegar para uma visita senhorial, prepara-se para corromper um dos mais preciosos bens do viticultor.

Nas sombras de um sótão ataca e destrói a honra de Ortelina, filha do protagonista, colocando-o no fio da navalha, entre a queda na tentação de fazer justiça pelas mãos ou perder o magro sustento da família.

Quando a situação dificilmente poderia ficar mais angustiante, o assassinato de Alípio faz cair as suspeitas em cima do viticultor. 

O resto fica para o leitor descobrir.

Tradições das famílias transmontanas e durienses

A escrita de Victor Maria mergulha no ADN transmontano, nas marcas da ditadura, explora o “exílio do pensamento” e a têmpera das gentes do Douro. Fá-lo a partir da experiência própria.

O autor estabeleceu-se na região vinhateira, especificamente em Mogo de Ansiães, que serve de cenário para a obra, após o seu casamento e onde, através do convívio com o seu sogro, aprendeu a amar as tradições das famílias transmontanas e durienses.

O livro convida à reflexão sobre a tirania e sobre os princípios básicos do respeito pelo outro e pela dignidade da pessoa humana, um bem imaterial cada vez mais escasso nas pessoas e nas comunidades actuais.

Victor Maria é um autor premiado, radicado em França há mais de quatro décadas, desde que saiu da sua Marinha Grande natal com a PIDE na peugada.

Naquele país, construiu uma vida como empresário e de ajuda ao próximo. Missão que concretiza através da participação em associações locais e que alia à paixão pelas letras.

Em 2015, recebeu o Prémio Camões da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, pela obra em língua francesa “La Vieille Maison de Briques – Bribes d’Une Enfance Portugaise”, livro onde recorda a ancestral casa de família na zona da praia de Mira.

Conta com muitas outras obras escritas pelo seu punho, mais de duas dezenas de volumes, em francês e português, cujas páginas povoou com pensamentos, contos e ensaios.

Aposentado, dedica-se, agora, quase a tempo inteiro à escrita e à investigação sobre o passado que viveu na Marinha Grande, às figuras que o marcaram e marcaram a cidade, à ficção e à sua própria história familiar.

Tópicos: crimeCrimes no DouroculturafrançalivroMarinha Grandemistériomogo de ansiãesromanceVictor mariaViver
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