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Vou ver…

Amélia do Vale, professora Amélia do Vale, professora
23 de Julho de 2022
em Opinião
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Amélia do Vale, professora
Amélia do Vale, professora23 de Julho de 2022

Como nas férias de verão não aprecio envolver-me com o binómio “mergulho-exposição solar” viro-me para o prazer de mergulhar na leitura de livros.

E tenho tantos à espera de serem lidos que não me é difícil agarrar e levar comigo alguns. Porém, este ano, não fiz assim.

Decidi que só vou ler livros de ficção recheados de segredos, conspirações e muito suspense!

Ora a quem atribuo a culpa desta minha tão redutora e afunilada escolha? A mim, só a mim.

É que acredito em três coisas: naquela definição que diz que o conhecimento é um conjunto de capacidades e processos mentais que ajudam a pessoa a melhor interpretar a realidade, a ser mais capaz de resolver problemas e até a reorientar os seus comportamentos; no saber que me é comunicado por especialistas; nos media como instrumento de divulgação do conhecimento.

Por isto, quando se iniciou a Covid, dispus-me a adquirir um melhor conhecimento ouvindo com muita atenção, como se fossem meus professores, os médicos especialistas que nos canais de rádio e televisão constantemente falavam sobre o assunto.

Sabendo que o conhecimento científico é o único capaz de produzir conclusões não dependentes da perceção subjetiva do investigador, pensava eu que todos os especialistas/médicos me iriam comunicar a mesma verdade, mas não!

Quer fosse pela necessidade de protagonismo mediático ou de uma qualquer agenda política, comecei a perceber que nem sempre o ensino da verdade científica era o ponto fulcral de muitas das comunicações.

Apesar de alguma desconfiança sobre as verdadeiras intenções de alguns mediáticos especialistas, continuei a ouvi-los e percebi que, não parando a pandemia, milagrosamente, ela me pareceu ter acabado ao surgir a guerra na Ucrânia.

Dei comigo, horrorizada, a assistir a outras “aulas” dadas por professores/militares e concluí que com os saberes que me passaram sobre as possíveis estratégias da guerra eu nada podia fazer para além de aumentar a raiva que já antes sentia pelos senhores do mundo!

Entretanto, eis que esta “aula” acaba, sem a guerra acabar e me surge uma outra: a do caos nas urgências!

Disposta a aprender oiço uma vez mais professores/médicos especialistas, desta vez a quererem ensinar-me algumas das suas verdades carregadas de subjetividade e corporativismo e não percebo o que posso eu, uma cidadã, fazer com elas!

Tenho para mim que talvez se a todos eles eu ouvisse falar da necessidade de os centros de saúde estarem abertos vinte e quatro horas por dia e bem apetrechados para poderem avaliar a muita ou pouca gravidade da doença do utente, muito poderiam os cidadãos fazer para ajudar a resolver parte do problema ligado às falsas urgências.

Sentindo nada ter aprendido com estes “professores” dou comigo a entrar numa outra “aula”, esta dada por especialistas em fogos.

Ouço-os a quererem ensinar-me o que fazer para que o que ardeu não tivesse ardido!!!

Farta de especialistas que nada de útil me ensinam para que o meu agir torne melhor a realidade afasto-os de mim.

Quem sabe se não será na leitura de um bom livro de ficção que eu venha a aprender a fazer aquilo que eles não me souberam ensinar.

Tenho aqui alguns desses livros, vou ver…

 

Texto escrito segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1990

Tópicos: Amélia do Valeopinião
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