
Apesar da influência cada vez maior das big tech no dia a dia, nem tudo acontece no ambiente digital, ainda. É até possível que alguns frequentadores do Parque do Avião, em Leiria, já nem se lembrem do Metaverso e da promessa de uma existência alternativa no Second Life. Ou talvez nunca tenham vivido o tempo em que o futuro rimava com avatar.
O Parque do Avião, por outro lado, há várias décadas que faz parte do imaginário da cidade, e com o percurso Polis, que o atravessa, continua a atrair novos frequentadores. Como se conta nas próximas páginas, funciona como sala de estar e ponto de encontro, para famílias e para quem pratica desporto. Leiria também se mistura e conhece ali, entre a sombra das árvores e o campo de jogos.
Quase a atingir 20 anos, o Polis está na origem da relação que os habitantes do concelho têm hoje com o rio, muito mais próxima. Não sugere apenas caminhar, correr ou andar de bicicleta, cria condições para ficar, ao ritmo da respiração do Lis. Mostra o poder de uma boa ideia, mesmo quando o ministro da tutela acaba, mais tarde, sentado no banco dos réus.
Antes e depois do Parque do Avião, ao longo do Polis, outras zonas de estadia desempenham funções semelhantes: o parque radical da Guimarota (e a área pegada com os campos de ténis de São Romão, onde o Festival A Porta realizou recentemente a actividade Manta, com jogos e música) e o jardim de Santo Agostinho (usado, por exemplo, pelo Orfeão de Leiria para concertos do Festival Beira Rio) e ainda o Jardim da Almuinha Grande e o Parque Verde.
No Plano de Mobilidade Urbana Sustentável de Leiria, uma das propostas mais interessantes imagina um grande espaço verde circular, em anel, a percorrer diferentes bairros. O objectivo, além de estabelecer ligações para a mobilidade suave, passa por gerar dinâmicas de recreio, fruição cultural, preservação da paisagem e conforto climático. Pode ser tão simples como clonar o Parque do Avião.









