
Esta pequena empresa de consultoria política usa técnicas de análise de dados para desenhar estratégias de comunicação política.
Olhando para esta descrição, não se percebe qual a diferença para tantas outras empresas que auxiliam políticos e partidos em épocas de eleições.
No entanto, o que distingue a Cambridge Analytica é a sua eficácia e a capacidade que tem de dirigir mensagens personalizadas (ou quase) a cada eleitor, usando os anúncios do Facebook.
Assim, parece plausível que a empresa tenha contribuído decisivamente para eleger Trump e para levar o Reino Unido para fora da União Europeia.
Causou grande indignação a forma como a Cambridge Analytica conseguiu identificar as características dos diferentes eleitores que pretendia atingir com as suas campanhas: usou dados do Facebook que teriam sido recolhidos para investigação científica, num aparente abuso.
Cerca de 300.000 (trezentas mil) pessoas responderam a um inquérito e isso permitiu recolher informações sobre…50.000.000 (cinquenta milhões) de pessoas!
Causou, portanto, alarme a capacidade de usar informação que nós, cidadãos, entregamos a [LER_MAIS] uma empresa privada para influenciar eleições.
Mas não devia ser surpreendente, se pensarmos que vender a nossa informação é o negócio do Facebook (“monetizar”, como dizem os gurus do empreendedorismo).
Em toda esta situação, causa apenas estranheza o Facebook ter sido “enganado” e não ter recebido pela informação que entregou. Tudo o resto… é business as usual, é usado por milhões de empresas em todo o mundo diariamente!
“Vender sabonetes ou eleger um presidente da república” não exige meios muito diversos. E se a TV já aparentava ter um grande poder, as novas formas de comunicação exponenciam a capacidade de influenciar resultados.
Aproveite-se esta comoção para refletir e impor condições sobre a recolha, armazenamento e utilização dos dados pessoais dos cidadãos.
Mais que espúrias campanhas de moralismo barato (como o #deleteFacebook), pense-se como proteger os cidadãos e os Estados de gigantescas empresas privadas que detêm um poder gigantesco.
*Professor e investigador
Texto escrito de acordo com a nova ortografia









