PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assinar desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Home Opinião

“Do outro lado do espelho”

Patrícia António, psicóloga e psicoterapeuta Patrícia António, psicóloga e psicoterapeuta
08/02/18 12:02
em Opinião
“Do outro lado do espelho”
Share on FacebookShare on Twitter
Patrícia António, psicóloga e psicoterapeuta

"Recordo-me de em pequena a minha mãe chamar-me vaidosa e petulante porque passava horas em frente ao espelho”. Certamente à procura de um espelho reflector não deformador de si e nem das suas qualidades, que a amasse e respeitasse como uma menina única e exclusiva, merecedora de existir.

Hoje Maria (nome fictício) é uma mulher adulta, pesa próximo de 100 quilos e não consegue ver-se ao espelho, nem olhar o seu corpo que tende constantemente a deformar. Procura-me porque tem consciência que algo não vai bem consigo, nem com o seu comportamento alimentar.

Sente uma profunda tristeza, muita desconfiança e ansiedade quando olha para o mundo. Tem dificuldades nos relacionamentos sociais, profissionais e também na vida íntima e afectiva. Vive uma auto-depreciação constante e sente muita vergonha, que agora quer procurar entender.

O desenvolvimento humano não é um processo apenas biologicamente determinado e passível de ser expresso só em quilogramas, centímetros ou percentis. Somos seres de cultura e activos na procura da interacção com o outro desde bebés e isso conta, conta muito.

Esta recordação da Maria levou-me ao pensamento de Donald Winnicott, pediatra e psicanalista inglês de quem eu gosto muito, quando diz que o bebé ao olhar-se no espelho do rosto materno vê-se a si próprio: “quando olho sou visto, logo existo… posso agora permitir-me olhar e ver”.

Na sua perspectiva, o nosso primeiro espelho é o rosto da mãe e/ou figura cuidadora, o seu olhar, o seu sorriso, as suas expressões faciais. Por isso, a mãe ou outro “ser de carne e osso” que desempenhe a função materna tem uma grande responsabilidade.

Uma vez sendo o espelho do seu bebé, ela tanto pode reflectir o que ele realmente é, como o que ela é ou imagina ser. As suas projecções podem distorcer a sua relação com o bebé, criando disrupções e comprometendo as suas experiências relacionais precoces possíveis, porque a visão que esta tem dos potenciais do seu filho tornam-se parte importante das representações que ele vai ter de si próprio.

 [LER_MAIS] Assim, quando uma menina ou um menino investiga o seu rosto ao espelho e sorri para a sua própria imagem reflectida ou procura o rosto da mãe ou do pai que o sustenta nos braços (por volta dos 6 a 18 meses, no chamado estádio espelho), ela ou ele está a procurar a tranquilidade de sentir que a imagem materna se encontra ali, que a mãe e/ou figura cuidadora a vê e se encontra disponível, que há amor incondicional dos seus cuidadores.

Do outro lado do espelho é também o título da exposição que visitei com a minha irmã na Fundação Calouste Gulbenkian, onde me foi possível revisitar algumas destas considerações. Tratava-se de uma exposição temática que teve o espelho como foco principal e que pretendeu demonstrar a sua presença polissémica na iconografia da arte europeia, sobretudo na pintura, mas também na escultura, na arte do livro, na fotografia e no cinema.

Numa das salas podíamos assistir a um pequeno filme de um menino e do seu vislumbre quando via a sua imagem ao espelho (o seu eu) e interagia com o rosto do pai que o filmava. E este vislumbre também proporciona um modo de olhar a psicoterapia. Poder devolver à pessoa aquilo que nos traz, que sente que é.

E aqui reside talvez grande parte do trabalho a fazer com a Maria. E se o fizer suficientemente bem, Maria descobrirá o seu próprio eu e será capaz de existir e sentir-se real, sem se angustiar tanto, ganhando liberdade para ser capaz de pensar em si de forma positiva, coerente e tranquila.

Isto porque nas palavras de Winnicott, “sentir-se real é mais do que existir: é descobrir um modo de existir como si mesmo, relacionar-se com os demais como si mesmo e ter um eu (self) para o qual retirar-se para relaxar”, sempre que necessário e sem nos abalarmos muito, acrescento eu.

*Psicóloga clínica e psicoterapeuta

Tópicos: opiniãopatrícia antónio

RELACIONADOS

Ana Pires: O que fazer às cápsulas de café?
Opinião

Ana Pires: O que fazer às cápsulas de café?

Setembro 10, 2026
Ana Pires, Doutorada em Eng.ª do Ambiente
João Caldeira Heitor: Quem se preocupa com o que não se vê?
Opinião

João Caldeira Heitor: Quem se preocupa com o que não se vê?

Setembro 10, 2026
João Caldeira Heitor, Coordenador Científico da Licenciatura em Gestão do Turismo do Instituto Superior de Gestão
Opinião

A sina do manga de alpaca

Setembro 10, 2026
João Lázaro, psicólogo clínico e director do TE-ATO
Próxima publicação
“A universidade da vida é o meu diploma”, Damião Leonel

“A universidade da vida é o meu diploma”, Damião Leonel

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Inqualificável

Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

MAIS VISTOS

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

Setembro 12, 2026
Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Setembro 12, 2026
Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Setembro 12, 2026
Inqualificável

Inqualificável

Setembro 12, 2026
Sónia Gonçalves Pereira, Médica, investigadora
Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

Setembro 12, 2026
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assinar desde 0,39€ por semana
  • Subscrever newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Comunidades
  • 50 anos do Poder Local
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • É quinta-feira, foge comigo
  • Palavra de honra
  • Críticas
  • Fotogalerias
  • Estatuto editorial
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?