
As propostas de um sistema de metro para Leiria, apresentadas em voz alta na campanha das últimas eleições autárquicas, são mais do que meia dúzia de parágrafos diluídos nos programas eleitorais: podem ser rascunhos de futuro, linhas que podem redesenhar a forma como a cidade se movimenta, cresce e se adapta na geografia da mobilidade e da alta velocidade. O que hoje parece ser apenas uma disputa política entre metro ligeiro de superfície e metrobus é, na verdade, uma discussão que deve ser abrangente e levada a sério, para perceber a escala de ambição que Leiria se atreve a ter.
Com a nova estação da linha de alta velocidade (LAV) prevista para a Barosa, passa a existir uma nova centralidade em Leiria, não só pelo encurtar das distâncias temporais entre Lisboa e o Porto, mas essencialmente pelas mudanças da arquitectura urbana que vão ser criadas, quer na Barosa, quer na zona da Estação, onde funciona actualmente uma das paragens da moribunda Linha do Oeste. E por obrigar a desenvolver soluções modernas e funcionais para que o concelho e a região não fique apenas a ver passar comboios.
Como se sabe, e como vos damos a conhecer mais em pormenor nesta edição, a Iniciativa Liberal e o PSD, apontam como solução a criação de um metro ligeiro de superfície, usando, em parte, a parte da ferrovia da Linha do Oeste que será desactivada. Já o PS defende a criação de um sistema de metrobus, alimentado por autocarros eléctricos que se deslocariam em vias dedicadas.
Do lado dos especialistas em mobilidade, também não há consenso. Uns consideram que o metrobus não será suficiente para desmotivar a utilização do carro particular, outros vêem no metro ligeiro de superfície uma solução sobre-dimensionada para a procura provável em Leiria.
Como impacto deste tipo de projectos não se medirá apenas em quilómetros de via ou em milhões investidos, mas na forma como a cidade se irá reorganizar, esta divergência de ideias é bastante saudável, se conseguir transformar este conflito de visões num exercício sério de ordenamento e planeamento. E se conseguir encontrar uma opção final que desenhe uma cidade onde o metro não será luxo, mas quotidiano.









