
Quase trinta anos depois de tocarem em Inglaterra, os Silence 4 continuam a ser grandes em Portugal, mas sem a mesma dimensão no exterior, excepto, provavelmente, junto das comunidades de emigrantes, para quem David Fonseca actuou a solo, no Jazz Café de Londres, em Dezembro de 2024.
Desde a década de 90, contudo, a música é outra. Agora o mundo cabe no bolso. Ficou maior e mais próximo. Concertos para convencer executivos de editoras multinacionais já não são o único caminho até ao mercado internacional, porque as plataformas de streaming, e não só, apesar de todas as condicionantes e interesses comerciais, ajudam a promover o encontro dos artistas com o público, à distância, qualquer que seja a distância, através do telemóvel que está na palma da mão.
Ir lá fora, por outro lado, não depende por inteiro de um fenómeno como o que os Silence 4 protagonizam a partir do êxito “A Little Respect”. Há oportunidades em diferentes camadas de popularidade, e estéticas.
Surma vive uma carreira com ligação a vários continentes. A cantora e compositora Lisa Sereno vai representar Portugal, indicada pela rádio Antena 3, durante o evento Eurosonic, que reúne nos Países Baixos, anualmente, cerca de 4 mil profissionais da indústria da música, enquanto os Sfistikated têm encontrado no circuito de clubbing, pela Europa, a porta do metro para expandir a base de fãs, com live acts na Estónia, Alemanha, Hungria e Eslováquia, só nos últimos meses.
Também este ano, o ensemble Solistas SAMP apresentou-se no Teatro Municipal do Rio de Janeiro durante a conferência da WASBE no Brasil e a Leiria Cidade Criativa da Música Unesco levou Catraia à Polónia e Diana Francisco à Suécia, entre outros exemplos.
Esta semana, a protagonista é Inês Apenas, que acaba de juntar-se à plataforma Polyglot, de intercâmbio de canções entre autores na União Europeia.
As redes e plataformas (físicas ou digitais) oferecem espaço para cooperação e divulgação. E não custa imaginar que os novos talentos que agora dão os primeiros passos – dos Albatroz em Leiria a Leonardo Pinto (Thispage) em Pombal – têm muita estrada para andar. Dentro e fora de fronteiras.









