PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assinar desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Home Opinião

Música | As notas fantasma e a dignidade do invisível

São o esqueleto oculto da melodia. Na verdade, vivemos à volta destas notas fantasma. O técnico de som que afina o microfone, a mulher da limpeza que esfrega o chão do auditório antes da estreia, os carregadores que sobem as escadas com o piano de cauda

Pedro Miguel Ferreira, Sociologia e História do Tempo Presente Pedro Miguel Ferreira, Sociologia e História do Tempo Presente
25 de Setembro de 2026
em Opinião
Música | As notas fantasma e a dignidade do invisível
Share on FacebookShare on Twitter
Pedro Miguel Ferreira, Sociologia e História do Tempo Presente

No livro Nina Simone’s Gum. A Memoir Of Things Lost And Found, Warren Ellis, o multi-instrumentista australiano e braço direito de Nick Cave, reserva um dos seus melhores capítulos para o técnico de som Matt Crosbic. Graças a um know-how feito de ouvidos absolutos e mãos precisas, conseguiu o impensável: entrar no círculo restrito e temperamental de Nina Simone.

A artista ficou tão impressionada com a forma este profissional moldava o ar e a acústica que o elevou acima de todos. Produtores, empresários e até outros músicos de renome foram mantidos à distância, mas Crosbic passou a ser convocado para tarefas de carácter pessoal durante as suas digressões. Nina valorizava, acima de tudo, o trabalho bem feito. Ali, na escuridão da cabine de som, ela reconheceu o talento. Para Crosbic, não foi apenas um prazer; foi uma realização profunda. A aquisição do maior bem que um profissional pode almejar: o reconhecimento genuíno pela sua arte. Mesmo que, para o mundo exterior, a sua invisibilidade continuasse intacta.

Mas esta invisibilidade não é um exclusivo dos bastidores dos grandes palcos. É a geografia silenciosa do mundo. Em Portugal, a jornalista Rita Pereira Carvalho deu-lhe rosto e voz no livro As Invisíveis. Histórias Sobre o Trabalho de Limpeza. “As noites nos autocarros da Carris, em Lisboa, e as conversas com quem acorda às três ou quatro da manhã para trabalhar deixaram a certeza de que este trabalho não é conhecido, nem reconhecido”, escreve. São as mãos que preparam o cenário para que a vida dos outros aconteça, tal como o técnico de som prepara o palco para que a diva brilhe.

Do outro lado do Atlântico, o New York Times dedicou uma investigação aos trabalhadores de empresas de mudanças. Homens e mulheres que carregam o peso físico das transições alheias. A investigação revela que estes profissionais ocupam o lugar da frente nas situações mais insólitas: assistem na primeira fila aos momentos de felicidade de casais que vão morar juntos, mas também são espectadores de separações dolorosas, onde as discussões estalam como se eles não estivessem lá.

Na música, existe um conceito técnico chamado ghost notes. A maior parte dos músicos sabe que sem elas, o ritmo perde groove. Elas são o esqueleto oculto da melodia. Na verdade, vivemos à volta destas notas fantasma. O técnico de som que afina o microfone, a mulher da limpeza que esfrega o chão do auditório antes da estreia, os carregadores que sobem as escadas com o piano de cauda. Pagamos bilhete para ver a luz, para ouvir a voz, para aplaudir o solista no centro do palco. A magia só acontece porque há alguém, na penumbra, a garantir que o cabo não tropeça, que o chão não escorrega, que o peso não esmaga.

PartilharTweet

Mais informação

Cinema e TV | The Mandalorian and Grogu: a galáxia continua, mas sem arriscar
Opinião

Cinema e TV | The Mandalorian and Grogu: a galáxia continua, mas sem arriscar

Setembro 25, 2026
Tiago Iúri, realizador
Letras | Luís Mourão & Rui Pedro Lourenço (2023), O passar do tempo  OU o património das pedras que (nos) habitam o espaço…
Opinião

Letras | Luís Mourão & Rui Pedro Lourenço (2023), O passar do tempo OU o património das pedras que (nos) habitam o espaço…

Setembro 25, 2026
Cristina Nobre, professora do ensino superior
Exposição a violência doméstica é a principal problemática dos casos acompanhados pela CPCJ
Sociedade

Falta de técnicos deixa CPCJ de Leiria em situação “crítica”

Setembro 25, 2026

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

Música | As notas fantasma e a dignidade do invisível

Cinema e TV | The Mandalorian and Grogu: a galáxia continua, mas sem arriscar

Letras | Luís Mourão & Rui Pedro Lourenço (2023), O passar do tempo OU o património das pedras que (nos) habitam o espaço…

Falta de técnicos deixa CPCJ de Leiria em situação “crítica”

Deixa-me estar calado | A chama do Fetal

MAIS VISTOS

Música | As notas fantasma e a dignidade do invisível

Música | As notas fantasma e a dignidade do invisível

Setembro 25, 2026
Pedro Miguel Ferreira, Sociologia e História do Tempo Presente
Cinema e TV | The Mandalorian and Grogu: a galáxia continua, mas sem arriscar

Cinema e TV | The Mandalorian and Grogu: a galáxia continua, mas sem arriscar

Setembro 25, 2026
Tiago Iúri, realizador
Letras | Luís Mourão & Rui Pedro Lourenço (2023), O passar do tempo  OU o património das pedras que (nos) habitam o espaço…

Letras | Luís Mourão & Rui Pedro Lourenço (2023), O passar do tempo OU o património das pedras que (nos) habitam o espaço…

Setembro 25, 2026
Cristina Nobre, professora do ensino superior
Exposição a violência doméstica é a principal problemática dos casos acompanhados pela CPCJ

Falta de técnicos deixa CPCJ de Leiria em situação “crítica”

Setembro 25, 2026
Deixa-me estar calado | A chama do Fetal

Deixa-me estar calado | A chama do Fetal

Setembro 24, 2026
Bruno Gaspar, artista plástico e investigador
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assinar desde 0,39€ por semana
  • Subscrever newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Comunidades
  • 50 anos do Poder Local
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • É quinta-feira, foge comigo
  • Palavra de honra
  • Críticas
  • Fotogalerias
  • Estatuto editorial
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?