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Home Depressão Kristin

“O impacto é semelhante àquilo que pode significar uma bomba dentro da nossa cidade, com destruição maciça”

"O impacto é semelhante àquilo que pode significar uma bomba dentro da nossa cidade, com destruição maciça" . Presidente da Câmara apela ao Governo para decretar estado de calamidade em Leiria

Redacção/Agência Lusa Redacção/Agência Lusa
28 de Janeiro de 2026
em Depressão Kristin
“O impacto é semelhante àquilo que pode significar uma bomba dentro da nossa cidade, com destruição maciça”
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O presidente da Câmara de Leiria apelou hoje ao Governo para que possa decretar o estado de calamidade em Leiria, tendo em conta que o concelho foi dos mais afectados pela depressão Kristin.

“O primeiro apelo que fazia, era que o próprio Governo equacionasse de imediato o estado de calamidade para podermos acudir a todos os prejuízos e recolher, na nossa região, os meios necessários para recuperar a vida normal do nosso concelho”, adiantou Gonçalo Lopes (PS).

O autarca pediu ainda que “o foco de todas as equipas, seja da E-Redes, seja da Proteção Civil, seja de outros recursos, sejam concentrados em Leiria”.

De acordo com o presidente, a “cidade de Leiria foi atingida de maneira drástica naquilo que são os seus bens públicos e privados”.

“Temos espaços públicos virados de pernas para o ar. É algo que vai obrigar a um esforço muito grande de recuperação nos próximos meses. O impacto é semelhante àquilo que pode significar uma bomba dentro da nossa cidade, com destruição maciça”, revelou.

Afirmando que não foram só os espaços públicos a serem atingidos, Gonçalo Lopes explicou que “muitos dos equipamentos passam por igrejas, estádios, piscinas, casas, esplanadas”.

“Algo nunca visto, provocado pelo fenómeno que aconteceu entre as 03:00 e as 05:00 da manhã e para o qual não conseguimos ter resposta”, disse.

O autarca revelou que se perspcetiva que nos próximos dois dias a maioria da população continue sem abastecimento de água e electricidade.

“A E-Redes está a mobilizar todos os recursos nacionais para Leiria. Não vamos ter eletricidade durante este período e, portanto, todo o apelo que deixava é que empresas e instituições que tenham geradores disponíveis e que possam ceder para acudir às populações mais necessitadas, como lares e a PSP. Temos uma linha já dedicada para fazer uma lista de prioridades para colocar o nosso concelho rapidamente com energia”, reforçou.

Segundo o presidente, a “questão da eletricidade tem consequências nas comunicações, no fornecimento de água”. Por isso, apelou à população para que seja “muito racional e equilibrada nos consumos” de água e bens alimentares.

Um dos principais problemas, explicou, foram os danos nas linhas de alta tensão, “que foram profundamente afectadas na região”, e, por isso, “as subestações de Leiria, todas elas, estão inoperacionais”.

A reposição da energia será idêntica ao que se verificou no ‘apagão’.

Gonçalo Lopes informou ainda que estão a trabalhar para reabrir as vias de comunicação, “com uma preocupação especial para o IC2 [itinerário complementar 2], na zona da Roca, e na “estrada nacional 109, que liga Leiria à Figueira da Foz, que está também com dificuldades de circulação”.

“Apelo para que as pessoas fiquem em casa durante os próximos períodos, de modo a evitar o constrangimento das vias e a deixá-las livres para quem vai em socorro e auxílio na resolução dos problemas”, frisou.

Outro dos pedidos deixados pelo autarca é a cedência de geradores que empresas ou particulares possam ter disponíveis. “Temos várias empresas que já nos disponibilizaram geradores. Estamos a falar de uma situação extremamente grave, sobretudo nos lares”, que estão sem energia, apontou, referindo que estão a fazer o ponto de situação das dificuldades dos 60 lares do concelho.

A autarquia disponibilizou um número de telefone (922 273 694) para onde podem ligar para disponibilizarem os geradores.

Outra das preocupações manifestadas pelo presidente da Câmara é a Estação de Tratamento de Águas Residuais do Coimbrão, que se encontra inoperacional. “Estamos a medir os impactos ambientais que poderá ter uma infraestrutura desta dimensão que deixou de estar em funcionamento”, acrescentou.

Serão ainda disponibilizadas “casas de recolha” para cidadãos que não tenham onde pernoitar.

Tópicos: chuvaIPMAKristinLeiriamau tempoprotecção civilsociedadevento
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Caos e destruição à passagem da Kristin pela região  Os prejuízos da passagem da depressão Kristin são incalculáveis e a cidade de Leiria poderá demorar um ano a recuperar do “cenário dantesco”, como apelidou Gonçalo Lopes. O presidente da Câmara de Leiria enumerou “danos materiais, sobretudo de fábricas, que ficaram sem coberturas”, “centenas de casas sem coberturas e fachadas, empresas, que tinham acabado de fazer obras e um jardim de infância que desapareceu na Coucinheira, em Amor”. Foram ainda registados estragos nas obras nas escolas D. Dinis e Afonso Lopes Vieira, que têm financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência, “onde os andaimes caíram, as coberturas desapareceram e, portanto, em cima de obra” terá de ser realizada nova obra. O terminal rodoviário desabou e terá de mudar de lugar para o estacionamento junto ao Estádio de Leiria, onde também será erguido um centro de logística. Além destes estragos, o autarca sublinhou que a “recuperação da normalidade, irá demorar muitos dias”, advertindo que o “plano de recuperação irá demorar mais de um ano até ser reposta toda a normalidade”.  “Temos de facto um cenário desolador”, desabafou Gonçalo Lopes. Com a voz embargada, Paulo Vicente sublinhou que a Marinha Grande enfrenta um cenário de caos, referindo danos em casas e empresas, encontrando-se sem electricidade, comunicações ou água. “Está um caos, não há memória, nunca houve no concelho da Marinha Grande uma destruição tão grande como esta”, afirmou aos jornalistas, adiantando que “o concelho está isolado do mundo”. “Não temos comunicações, não temos electricidade, não temos água”, acrescentando que os restaurantes e apoios de praia desapareceram na Vieira de Leiria.

Caos e destruição à passagem da Kristin pela região

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