PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assinar desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Home Opinião

O lugar das emoções é todo o lugar

Sara Araújo, socióloga Sara Araújo, socióloga
31/07/21 03:07
em Opinião
Share on FacebookShare on Twitter
Sara Araújo, socióloga

Esta semana, conversas diferentes fizeram-me regressar a uma descoberta individual com três anos, a Hanna Gadsby, uma humorista australiana, que percebe que a política está em tudo o que fazemos e que o humor neutro é uma impossibilidade.

Em Nanette e Douglas, os dois espetáculos a que assisti, o registo é pessoal e político, inteligente, divertido e emocionante.

Foram partilhas sobre o lugar apropriado para as emoções que me trouxeram à memória o momento em que Gadsby se insurge contra um tipo de observação, que algumas de nós ouvimos com frequência: “não sejas tão sensível”, uma condescendência perturbadora, passo a emoção, com inúmeras variantes.

“Não é preciso exaltares-te”, “estás a ser emocional”, “outra vez defensiva” e um bocejo continuado de indignações patriarcais contra o sentir podem, quase sempre, ser traduzidas por “conforma-te com esta invenção que definimos, de forma conveniente, como comportamento desejável”.

Só mais uma expressão socialmente aceitável da história de tratamento da transgressão feminina como sintoma de perturbação mental.

De forma hilariante, Gadsby torna evidente o paradoxo dos “sensíveis à sensibilidade” e verbaliza uma convicção de que partilho, felizmente numa rede alargada: a sensibilidade é uma força, não é uma fraqueza.

As emoções carregam potencial para nos salvar, precisamente porque são as emoções que permitem acreditar na transformação do que nos oprime, criar laços fortes e reunir coragem para transgredir.

O velho clichê “o amor importa” é verdadeiro, mas tem muito mais expressões do que a fantasia romântica observável da janela patriarcal.

Como argumenta a feminista e ativista negra bell hooks, a ética do amor (entendido numa dinâmica de crescimento espiritual partilhado, que eu interpreto como fortalecimento coletivo, sem esquecer a individualidade) esteve sempre presente nos grandes movimentos por libertação e justiça.

É claro que a negação da omnipresença das emoções e a desvalorização da sua expressão é bem mais do que um problema das mulheres.

“Os homens não choram” é uma violência que ainda se repete e que os homens têm que parar de aceitar.

A ciência política e a sociologia têm ganho interesse crescente pelas emoções e pelas masculinidades.

Os estrategas da extrema direita perceberam muito bem que tanta lágrima contida, tanto medo recalcado, tanta dor despolitizada e ignorada na era do capitalismo desumano mascarado de tecnocracia são combustível para a produção de ódio na máquina das redes sociais.

A teoria dos homens não emocionais vai por água abaixo, mas a do potencial das emoções para conduzir ao impensável ganha um registo distópico.

Se a imaginação feminina foi colonizada por princesas e fantasias românticas patriarcais, violência e super-heróis de culto foi o que deram aos rapazes para sonhar.

O patriarcado e a razão moderna, que limitam a nossa imaginação, precisam ser postos em causa.

Das alterações climáticas à contradição entre a desumanização continuada de grande parte da população do mundo e a concretização de fantasias bilionárias em foguetões fálicos com a duração de um recreio, são demasiados os sinais de que é preciso outra normalidade.

E, nesse caminho, não devemos ignorar as emoções. Precisamos cuidá-las e fortalecer-nos coletivamente, como as feministas nos têm ensinado.

É tempo dos homens também perceberem isso.

 

Texto escrito segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1990

 

Tópicos: opiniãoSara Araújo

RELACIONADOS

Ana Pires: O que fazer às cápsulas de café?
Opinião

Ana Pires: O que fazer às cápsulas de café?

Setembro 10, 2026
Ana Pires, Doutorada em Eng.ª do Ambiente
João Caldeira Heitor: Quem se preocupa com o que não se vê?
Opinião

João Caldeira Heitor: Quem se preocupa com o que não se vê?

Setembro 10, 2026
João Caldeira Heitor, Coordenador Científico da Licenciatura em Gestão do Turismo do Instituto Superior de Gestão
Opinião

A sina do manga de alpaca

Setembro 10, 2026
João Lázaro, psicólogo clínico e director do TE-ATO
Próxima publicação
Indivíduo em liberdade condicional detido em Porto de Mós por roubo, furto e burla

Indivíduo em liberdade condicional detido em Porto de Mós por roubo, furto e burla

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Inqualificável

Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

MAIS VISTOS

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

Setembro 12, 2026
Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Setembro 12, 2026
Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Setembro 12, 2026
Inqualificável

Inqualificável

Setembro 12, 2026
Sónia Gonçalves Pereira, Médica, investigadora
Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

Setembro 12, 2026
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assinar desde 0,39€ por semana
  • Subscrever newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Comunidades
  • 50 anos do Poder Local
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • É quinta-feira, foge comigo
  • Palavra de honra
  • Críticas
  • Fotogalerias
  • Estatuto editorial
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?