Que diferenças observa entre a câmara que deixou e aquela que encontra agora em 2025?
É absolutamente incomparável. Quando entrei para a Câmara em 2009, era o executivo liderado pela CDU, pelo professor Alberto Cascalho, encontrámos uma autarquia organizada, com hierarquia funcional e processos claros. Antes da tomada de posse, reunimos com o presidente cessante, numa atitude exemplar de transparência e respeito democrático. Foram-nos transmitidos os assuntos pendentes, entregues as pastas e disponibilizado um gabinete interno para preparar a transição. No dia seguinte à tomada de posse, estávamos prontos para trabalhar. Em 2025, infelizmente, vivemos o oposto. Apesar de o termos solicitado, não nos foi disponibilizado um gabinete na câmara onde pudéssemos organizar a transição. Esta recusa do presidente cessante é reveladora de uma falta de cultura democrática e de respeito institucional que não dignifica quem exerce funções públicas. Perante esta situação, tivemos de recorrer à Escola Profissional e Artística da Marinha Grande, que nos cedeu um gabinete, onde, com alguns trabalhadores, conseguimos tomar medidas mínimas para iniciar funções. Ainda estamos a tentar compreender como as coisas funcionavam — e a verdade é que estavam a funcionar mal – prova disso são as centenas de pendentes que encontrámos e aos quais teremos de dar resposta, porque as pessoas nos merecem essa consideração. Do meu último mandato até ao presente encontrei uma organização profundamente debilitada, fruto de escolhas que foram feitas sem ter em consideração princípios básicos da gestão e administração pública local: temos trabalhadores cansados e desmotivados, alguns a trabalhar em condições indignas, e que nos falam agora “olhos nos olhos” querendo ser ouvidos como não foram no mandato anterior. Esta realidade não nos desanima. Pelo contrário: reforça a nossa determinação em mudar. Este executivo está focado [LER_MAIS]em devolver organização, transparência e eficiência à câmara. Vamos implementar uma nova forma de trabalhar, assente na cooperação, na valorização dos trabalhadores e na modernização dos serviços. A mudança começou e será feita com rigor, responsabilidade e respeito pelos cidadãos.
Disse, no seu discurso de tomada de posse, que é preciso reorganizar os serviços desmantelados. O que ficou comprometido com as alterações feitas e que é preciso refazer?
Antes de qualquer reorganização profunda, temos de criar condições para que os trabalhadores sintam que este executivo está ao lado deles, que acredita na sua competência e no seu profissionalismo. Houve um claro “divórcio” do anterior executivo com os trabalhadores da casa que deixou muitas marcas, e é essa situação que queremos inverter, porque só assim conseguimos devolver estabilidade e eficiência à câmara. No imediato, é essencial restabelecer a cadeia hierárquica e garantir que os contactos com os trabalhadores são directos, sem entropias nem bloqueios. A reorganização dos serviços vai acontecer, mas será feita no tempo certo e com um objectivo claro: melhorar a qualidade da resposta à comunidade. De que serve mudar se essa mudança não estiver ajustada às necessidades reais das pessoas e às áreas estratégicas onde queremos apostar? Demos um sinal forte logo no primeiro dia: nomeámos para os nossos gabinetes pessoal da casa, funcionários da câmara. Isto não é apenas uma decisão administrativa, é uma mensagem clara: confiamos nos trabalhadores desta autarquia e contamos com eles para levar este mandato a bom porto. A mudança vai acontecer, mas será uma mudança com sentido, feita para servir melhor as pessoas e para devolver à Marinha Grande uma câmara organizada, eficiente e próxima dos cidadãos.
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