À entrada da Paper View, vemos uma exposição permanente de máquinas de escrever. É importante para a editora, a não utilização de tecnologia de última geração?
É muito mais engraçado. A máquina que tenho lá em baixo, tem 150 anos, se calhar, mais. Há ali máquinas de escrever que têm 30, há máquinas de escrever que têm 40, há máquinas de escrever que têm 70 anos – estão a funcionar. Um computador com cinco anos já começa a falhar. As coisas mais digitais são falíveis e muito pouco estáveis e estão mais na lógica mercantil do capitalismo, do consumo rápido. E eu não gosto muito desse jogo.
No trabalho de impressão e publicação, a Paper View utiliza exclusivamente equipamentos obsoletos?
Não exclusivamente. E gostava que fosse exclusivamente. Mas não exclusivamente por várias questões, muitas delas, até, práticas. Se eu quiser compor um poema em chumbo, demoro, se calhar, dois dias; se o quiser fazer no Word, se calhar, demoro cinco minutos. Temos uma prensa Minerva de pinças, mimeógrafos, duplicadores a álcool, risografia, tudo máquinas com décadas.
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