Quando deixou a Câmara Municipal da Marinha Grande, depois das últimas eleições autárquicas, Raul Testa decidiu especializar-se na economia digital, já a pensar na possibilidade de colaborar à distância com um empregador fora do País. “Rapidamente, percebi que não queria procurar trabalho em Portugal”. Todas (ou quase todas) as ofertas publicadas por empresas estrangeiras davam a conhecer a proposta de salário e nenhum (ou praticamente nenhum) anúncio de empresas portuguesas seguia a mesma prática. Além da transparência, a principal diferença, contudo, está no valor da remuneração: a trabalhar cá dentro para fora “ganha-se três ou quatro vezes mais, em média”. É um contrato de emigrante, sem precisar de emigrar. E uma fuga de cérebros, em nova versão.
Nos últimos anos, sobretudo desde o ínicio da pandemia, os empregadores estrangeiros compreenderam que podem contratar talento mais barato em Portugal, se oferecerem ao colaborador a possibilidade de se manter no País, a receber pelos padrões internacionais, ou seja, com um acréscimo considerável de poder de compra.
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