PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assinar desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Home Opinião

Soldado sem patente

João Lázaro, psicólogo clínico e director do TE-ATO João Lázaro, psicólogo clínico e director do TE-ATO
21/05/20 11:05
em Opinião
Share on FacebookShare on Twitter
João Lázaro, psicólogo clínico e director do TE-ATO

Sustenho o martelo bem alto, o mais que posso. O peso do ferro percorre-me o braço distendido ao limite do possível. Corpo retesado pelo esforço, cada músculo, cada nervo em alerta para que o movimento seja certeiro.

Só me é dada uma oportunidade, uma só, e cerro o punho no cabo de madeira para que o martelo não seja um objeto exterior a mim mas o prolongamento do meu corpo e da vontade que nele habita.

Tenho que erguer aquela ferramenta como uma bandeira, símbolo de uma causa maior que vai muito para além do que a minha humana condição suporta. E aquele martelo tem o peso da convicção de um estandarte, de uma razão universal, comum e partilhada, e a mim, soldado sem patente, cabe-me desferir o golpe, um só, imaculado.

O palco está vazio. Prefiro-o assim, despido de artefactos e ilusões.

A luz é a amiga de sempre, quente e definida numa zona limitada, depois a penumbra e mais longe o vazio da escuridão.

Sinto a solidão familiar de estar sozinho sobre aquelas tábuas sem fim.

Não me inquietam os monólogos, em quarenta e três anos de teatro já representei muitos, mas aquele era o primeiro.

Dias antes o José Pires, guardião incansável do nosso Teatro José Lúcio da Silva, tinha-me telefonado, cordial como sempre: a Câmara Municipal pedia que eu gravasse em vídeo uma das nossas produções do TE-ATO, O Fio da Linha do Horizonte.

Acertámos data e hora, sem mais formalidades. Confesso que não entendi a razão – sou duro de ouvido e apanhou-me mesmo no intervalo entre duas consultas.

– Quer que lhe envie um email a confirmar? Para quem não saiba ele é muito formal.

Era lá preciso?! E na quarta-feira, à noite, lá estava.

O Nuno Cardoso recebeu-me e senti-me em boas mãos. Pudera, é um privilégio ter um técnico com tanto saber a quem nos entregarmos.

O João Carvalho só me perguntou como queria o desenho de luz, e num malabarismo de botões acertou à primeira.

Por detrás da câmara de filmar, o sorriso fácil do João Fonseca.

O José Pires fez-me um último pedido: teria que entrar ou sair de cena pela plateia. E ali estava eu, minguada figura com a imensidão dos 729 lugares vazios de uma plateia em frente.

Já representei naquele mesmo teatro para a sala esgotada. Já representei para um único espetador – nunca entendi esse princípio de um número mínimo de espetadores para ter lugar uma representação, afinal essa única pessoa não nos reconheceu como artistas?

Por que razão não lhe devemos retribuir com a única coisa que sabemos fazer?

Imagine-se uma tela esbater-se de cores só porque naquele dia um só visitante ia ao museu.

Assim, para um ou para mil, haverá sempre que fazer-se teatro. Mas naquela noite foi diferente.

Um teatro vazio é um mar de solidão.

Não havia o olhar, a respiração, o silêncio cúmplice que acolhe o ato de representar, o ouvido a quem segredamos uma ideia da qual fizemos narrativa.

Apenas toda aquela imensidão de ninguém. Um imenso lençol de água. Naquela noite não era eu que ali estava.

Ali estavam comigo, num palco só, todos os que fazemos teatro: dramaturgos, encenadores, atores, técnicos, administrativos.

Os aplaudidos e os que nos bastidores fazem acontecer um espetáculo.

Todos os que agora, neste momento em que alguém lerá estas linhas, está a passar ainda mais fome que aquela a que se habituaram a sofrer na carne apenas porque acreditam na razão da Arte.

Por tudo isto, e pelo tudo que a comoção não me permite dizer, naquela noite fiz da minha modesta representação um martelo com que golpeei a água daquele mar de solidão.

Texto escrito segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1990

Tópicos: João Lázaroopinião

RELACIONADOS

Ana Pires: O que fazer às cápsulas de café?
Opinião

Ana Pires: O que fazer às cápsulas de café?

Setembro 10, 2026
Ana Pires, Doutorada em Eng.ª do Ambiente
João Caldeira Heitor: Quem se preocupa com o que não se vê?
Opinião

João Caldeira Heitor: Quem se preocupa com o que não se vê?

Setembro 10, 2026
João Caldeira Heitor, Coordenador Científico da Licenciatura em Gestão do Turismo do Instituto Superior de Gestão
Opinião

A sina do manga de alpaca

Setembro 10, 2026
João Lázaro, psicólogo clínico e director do TE-ATO
Próxima publicação
Crónicas Corona – Primeiro estranha-se, depois…

Crónicas Corona - Primeiro estranha-se, depois...

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Inqualificável

Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

MAIS VISTOS

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

Setembro 12, 2026
Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Setembro 12, 2026
Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Setembro 12, 2026
Inqualificável

Inqualificável

Setembro 12, 2026
Sónia Gonçalves Pereira, Médica, investigadora
Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

Setembro 12, 2026
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assinar desde 0,39€ por semana
  • Subscrever newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Comunidades
  • 50 anos do Poder Local
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • É quinta-feira, foge comigo
  • Palavra de honra
  • Críticas
  • Fotogalerias
  • Estatuto editorial
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?