As doenças cardiovasculares são uma das principais causas de morte. Como reverter esta situação?
Temos de actuar em vários níveis de prevenção. Agora até se fala muito na prevenção primordial, que é incidir nos factores ambientais e na gravidez, factores mesmo antes de nascermos. Depois vem a prevenção primária, que deve ser feita antes de haver o evento ou antes da doença. Aí é importante incidir na comunidade, sobretudo em idades mais jovens, como no pré-escolar. Quando a doença está diagnosticada e, sobretudo, quando há um evento, é importante incidirmos na prevenção secundária, onde se insere a reabilitação cardíaca, que se destina aos doentes que já tiveram um evento ou que já têm o diagnóstico, e tem o objectivo de os ajudar a controlar a doença, para que ela progrida o menos possível.
A reabilitação aplica-se a todo o tipo de eventos?
Basicamente, todos os doentes com patologia cardiovascular são elegíveis para a reabilitação. O clássico na reabilitação é o doente que sofre um enfarte e depois é reabilitado. Mas, actualmente, aplica-se desde o doente com insuficiência cardíaca a quem tem a doença coronária. O doente que implanta dispositivos, não só o pacemaker, mas também aqueles que têm, por exemplo, os desfibrilhadores ou os dispositivos de ressincronização cardíaca, os doentes pós-transplante, pós- -cirurgia cardíaca em geral, e agora até se está a perceber a importância nos doentes oncológicos, pois especialmente a quimioterapia e a radioterapia, são tratamentos cardiotóxicos. Portanto, a reabilitação cardio-oncológica está a nascer na reabilitação cardíaca e na cardiologia preventiva. É um caminho para desbravar e que os doentes beneficiam brutalmente, não só a nível físico, como do humor e da dor. A reabilitação cardio-oncológica é muito importante.
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