PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assinar desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Home Entrevista

Entrevista | Sónia Gonçalves Pereira: “As bactérias são muito mais espertas do que nós”

Elisabete Cruz Elisabete Cruz
23/05/19 12:05
em Entrevista
Entrevista | Sónia Gonçalves Pereira: “As bactérias são muito mais espertas do que nós”
Share on FacebookShare on Twitter

Entrevista parte 2

Tem-se verificado alguma resistência aos antibióticos. Existem novas bactérias ou aprenderam a sobreviver ao ataque dos antibióticos?
Elas aprenderam porque são muito mais espertas do que nós. Para fazer uma analogia muito óbvia: uma bactéria vive 20 minutos, logo é este o tempo que tem para aprender, e nós temos uma vida inteira. As bactérias são as mesmas, mas nós somos diferentes, mesmo pertencendo à mesma espécie. As bactérias também pertencem à mesma espécie, mas vêm de ambientes diferentes, são sujeitas a stresses diferentes, logo têm comportamentos diferentes. É o que acontece com as bactérias hospitalares. Como estão sujeitas ao stress que lhes é imposto por permanente desinfecção e utilização de antibióticos, leva a que sejam as superbugs (superbactérias) e no hospital temos bactérias que resistem aos antibióticos, o que torna difícil o tratamento. Criámos o primeiro antibiótico há um século, o que revolucionou o mundo. Morríamos aos 40 anos e hoje a esperança média de vida quase que duplicou. Isto deve- -se aos antibióticos, mas também a medidas de higiene. Quando se descobriram os antibióticos ficou-se tranquilo, porque passou a existir uma arma para matar a ‘bicharada’.

Depois dessa descoberta houve algum ‘desleixo’ na investigação de novos antibióticos? 
Não será desleixo, mas houve este diferencial… Existe uma grande preocupação da parte da indústria farmacêutica em encontrar medicamentos para fazer face a doenças como o HIV, cancro ou outras mais mortais… E essas doenças são estanques. Não quer dizer que não seja preciso descobrir novas terapêuticas. O que aconteceu foi que se descobriram os primeiros antibióticos e o pessoal ficou todo contente. Nos primeiros anos houve um grande investimento da indústria farmacêutica para novas moléculas e de repente parou. Então há um hiato de muitos anos em que não surgiram novas drogas antibióticas, mas as bactérias continuaram a ser sujeitas ao estímulo. Elas querem o mesmo que nós: sobreviver, não lhes podemos levar a mal. Nós é que lhes vamos impondo stress e elas vão respondendo e encontram defesas para as moléculas que lhes estamos a "oferecer" para as tentar matar. Elas fazem isto de um dia para o outro. E nós de um dia para o outro não descobrimos uma nova molécula. Este desinvestimento da indústria farmacêutica esqueceu-se de pensar que as bactérias são inteligentes.

Qual a solução para terminar com a multi-resistência?
Educar na utilização correcta dos antibióticos, educar a sociedade e educar os prescritores, que são os médicos. Eles fazem o melhor que podem, com as ferramentas que têm, mas também têm de ser educados. Toda a sociedade tem de ser educada para a utilização adequada de antibióticos . Também é preciso descobrir novas moléculas para poder combater os organismos que já estão resistentes a todas as moléculas. Julgo que o mais difícil será educar, embora saibamos que demora 20 anos a encontrar novas moléculas e não podemos ficar à espera este tempo todo. Infelizmente, os antibióticos são muito mal usados. Ainda há muito esta cultura: estou constipada tomo um antibiótico. A culpa não é de ninguém, é de todos. Estou a tirar o curso de medicina, porque tenho interesse nesta parte dos antibióticos e pensei que a melhor forma para encontrar soluções é conhecer todos os lados. Gostava muito de poder conseguir um instrumento de pesquisa muito rápido para identificar os micro-organismos. Agora, prescrevemos um antibiótico na suposição de se tratar de uma determinada bactéria. Para saber, temos de fazer as análises hoje e obter rapidamente o resultado. O que acontece actualmente é que só se sabe daqui a três dias ou até uma semana depois e não podemos deixar a pessoa sem medicação. Gostava muito que houvesse um aparelho que desse esta resposta no imediato. Esse é um dos meus objectivos enquanto investigadora. Além da doença celíaca que quero muito estudar, queria ter esta segunda linha de investigação dedicada à resistência a antibióticos no diagnóstico.

“Nos primeiros anos houve um grande investimento da indústria farmacêutica para novas moléculas e de repente parou. Então há um hiato de muitos anos em que não surgiram novas drogas antibióticas, mas as bactérias continuaram a ser sujeitas ao estímulo. Elas querem o mesmo que nós: sobreviver, não lhes podemos levar a mal”

A introdução de antibióticos nos alimentos contribuiu para essa multi-resistência?
Claro que sim. Neste momento, é mais fácil controlar a resistência a antibióticos pela via veterinária do que pela via da saúde humana. Na veterinária, os antibióticos são usados como factores de crescimento e isso tem implicações: fica no alimento que comemos e, por isso, podemos adquirir resistências a antibióticos por essa via. Depois há disseminação no ambiente. As bactérias são inteligentíssimas, porque não só adquirem capacidade de resistirem a antibióticos, como transmitem esse conhecimento ao grupo. [LER_MAIS]  Elas têm uma característica genética que não temos – não partilhamos os nossos cromossomas com ninguém – elas partilham os elementos genéticos móveis (pequenas poções de cromossoma) umas com as outras. Quando morrem rebenta a célula e ficam esses pedacinhos de genes móveis, que as outras bactérias à volta recolhem e retêm a informação. Assim vão perpetuando esta resistência. Esta componente da veterinária é muito relevante, porque ingerimos isso tudo e fica no nosso intestino, onde temos a segunda maior quantidade de bactérias – a primeira é na pele –. Depois precisamos de um antibiótico e já lá está a resistência e o medicamento não funciona tão bem. Quando a comunidade científica conseguiu dar provas à Europa de que isto era um problema, rapidamente criaram-se normas para impor ao sector agro-pecuário a redução dos antibióticos na indústria alimentar e conseguiu-se diminuir a quantidade de antibióticos na veterinária. Na saúde humana é mais difícil, porque não vamos estar com um doente com uma suspeita de infecção e não fazer nada, porque não podemos usar antibiótico. O que tem de se fazer é usá-los de uma forma mais racional. Já vai havendo mudanças, mas é preciso mais. São precisas mais medidas de controlo de infecção e de higienização. O aparecimento da gripe das aves foi 'maravilhoso', porque conseguimos controlar uma série de organismos patogénicos, porque as pessoas estavam muito atentas ao problema. É preciso perceber que temos de estar sempre despertos.

No mercado existem cada vez mais produtos anti-bacterianos: sabonetes, detergentes… O uso contínuo deste tipo de produtos pode diminuir a resistência do corpo humano às bactérias?
Pode. Quando falei da higienização é de forma equilibrada. Assistimos a uma higiene exagerada e tem-se verificado um número crescente de pessoas com alergias. Isso deve-se exactamente a isso: como nos higienizamos de mais, não educamos o nosso sistema imunitário a reagir contra agressões externas e depois começa a reagir contra si próprio ou contra coisas esquisitas, porque nunca contactou com elas na idade certa. Este excesso de higiene pode contribuir para o mesmo, o que torna esta problemática num desafio ainda maior, que é encontrar este equilíbrio. Não podemos chegar a um hospital e dizer que se tem de esterilizar tudo porque é o ideal. Se calhar, o ideal é haver sempre um basal de micro-organismos, porque nós somos mais bactérias do que células no nosso corpo. Só na pele tenho mais células bacterianas do que células minhas. Ao lavar as mãos com o sabonete anti-bacteriano está-se a matar as bactérias que são boas. Isso pode levar as que são menos boas a ter mais hipóteses de sobreviver e causar infecção. Esta pressão desinfectante leva também a que mais facilmente as bactérias encontrem estratégias para se defender. Quando levam com o antibiótico vão buscar a informação que lhes permite resistir. No hospital há que lavar as mãos entre doentes, devemos ter o sabonete anti-bacteriano, porque é um local que tem muita especificidade e é necessário cuidados redobrados. No dia-a-dia não é necessário, nem saudável.

As alterações climáticas têm influência no aparecimento de novos micróbios?
Não iria tão longe. Na investigação vamos percebendo que estes patogénicos convencionais não eram assim tão convencionais. Houve outros micro-organismos que não eram encarados como patogénicos que agora podem sê-lo. O que nos podem trazer as alterações climáticas são as zoonoses. Por exemplo, a malária pode chegar a Portugal, porque o mosquito que está em África pode chegar ao continente. A geografia das doenças infecciosas é que se pode alterar e será possível o seu desenvolvimento mais rápido.

Tópicos: antibióticosdoença celíacaentrevistainvestigadorapolitécnico de LeiriasaúdesociedadeSónia Gonçalves Pereira

RELACIONADOS

Marinha Grande acolhe palestra sobre IA- Impacto e principais mudanças
Sociedade

Marinha Grande acolhe palestra sobre IA- Impacto e principais mudanças

Setembro 11, 2026
Doentes oncológicos sofrem com tratamentos e olhares indiscretos
Abertura

Doentes oncológicos sofrem com tratamentos e olhares indiscretos

Setembro 10, 2026
Filipe Sales: “Queremos relançar e reafirmar Peniche como capital da onda”
Entrevista

Filipe Sales: “Queremos relançar e reafirmar Peniche como capital da onda”

Setembro 10, 2026
Próxima publicação
Bitcliq distinguida como uma  das startups com maior potencial

Bitcliq distinguida como uma das startups com maior potencial

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Inqualificável

Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

MAIS VISTOS

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

Setembro 12, 2026
Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Setembro 12, 2026
Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Setembro 12, 2026
Inqualificável

Inqualificável

Setembro 12, 2026
Sónia Gonçalves Pereira, Médica, investigadora
Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

Setembro 12, 2026
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assinar desde 0,39€ por semana
  • Subscrever newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Comunidades
  • 50 anos do Poder Local
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • É quinta-feira, foge comigo
  • Palavra de honra
  • Críticas
  • Fotogalerias
  • Estatuto editorial
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?