Há um ano a liderar a ULS, o que é que mudou?
Começou logo por mudar o clima que se vivia nesta casa. Havia uma certa crispação entre os profissionais. As pessoas estavam desmotivadas, o hospital era falado não pelas melhores razões: ou porque havia urgências fechadas, ou porque havia concursos que eram abertos e as pessoas não concorriam. Fui desafiado a vir para aqui e estou muito orgulhoso da equipa que escolhi. Começámos por criar condições para que este hospital respondesse às expectativas das pessoas que servimos e dos profissionais que cá trabalham. Esse foi um dos primeiros objectivos: criar uma paz social. É a maior casa da região, com 3.500 funcionários, e gerir esta entidade é realmente um desafio enorme. Isto é um grande porta-aviões, que para funcionar todos os colaboradores são necessários, desde o menos ao mais diferenciado.
A ULS, que articula cuidados de saúde primários com os hospitalares, é o modelo de organização que melhor se adapta ao Serviço Nacional de Saúde (SNS)?
Hoje, acho que é realmente o melhor modelo. Na fase inicial também fui um bocado crítico. Havia duas estruturas que foram crescendo separadamente. A diferenciação dos cuidados de saúde primários e a nível hospitalar fez com que cada vez houvesse mais afastamento e dificuldade de articulação entre os dois níveis de cuidados. Hoje, compreende-se que há ganhos em produtividade nessa articulação e em escala. Há saberes que se vão integrando, não esquecendo que o nosso foco é único: o doente. Não há mais nenhuma razão para questionar as ULS. Agora, duas estruturas que andaram 30 anos a crescer separadamente vai demorar tempo para que haja uma certa integração. Mas, em Leiria, essa integração tem sido assimilada pelos profissionais. E se o foco é tratar o melhor possível os nossos utentes, o que interessa é pegar neles quando entram na porta de entrada que é o centro de saúde, até ao topo da sua necessidade em termos de cuidados. Estamos também muito orgulhosos, porque iniciámos um procedimento de topo: os primeiros doentes operados por cirurgia robótica. Não queremos ser os melhores, mas queremos estar entre os melhores. E, para isso, temos de ter práticas de excelência.
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