O Governo criou a Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro dias depois da tempestade de Kristin. Por que aceitou este desafio?
Aceitei por um sentido patriótico e de dever perante uma calamidade sem paralelo do ponto de vista dos danos conjuntos que causou, talvez a maior calamidade natural do Portugal contemporâneo. Não tinha como recusar face ao meu entendimento de um certo espírito de missão que sempre tive.
Quando chegou o que pensou para reerguer a região?
A minha ideia foi evoluindo. Cheguei com um dia de antecedência, quando ainda não era tão conhecido e estive nas famosas filas por causa das telhas. No primeiro contacto que tive, a fila andava perto de sete horas, em que as pessoas trocavam três telhas partidas por três telhas não partidas. Como desconhecido, fui perguntando às pessoas o que sentiam e percebi que a primeira linha da missão, contrariamente a outras, era ser constituída dentro do próprio problema, gravíssimo, do ponto de vista de danos. Depois da Kristin, surgiu aquele comboio de tempestades, que impediu ter logo uma percepção, porque o dano continuava. Além dessa questão, há uma circunstância que não se pode nunca desvalorizar quando fazemos uma leitura do que aconteceu e se pensa no futuro, que foi uma privação gigantesca da comunidade à falta das infra-estruturas básicas: electricidade, telecomunicações, água, saneamento, mobilidade, conectividade. Algumas delas duram há dois meses, outras duraram, pelo menos, um mês, consoante os lugares, e criam danos continuados. Hoje estamos numa situação muito diferente, mas continuam a acontecer danos pela falta da rede de telecomunicações fixa.
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